Quando o cinema chega às crianças: a experiência de Alicia Vega

Com Patricia Durães e Cezar Migliorin.

Em plena ditadura chilena, a professora Alicia Vega transformou uma igreja da comunidade de Lo Hermida, na periferia de Santiago, em espaço de encontro, criação e descobertas. Durante vinte sábados, crianças que nunca haviam entrado em uma sala de cinema experimentaram os princípios da linguagem cinematográfica: construíram brinquedos ópticos, desenharam fotogramas, inventaram movimentos de câmera e descobriram que também podiam produzir imagens.

Ao acompanhar essa experiência com extrema sensibilidade, o diretor de Cem crianças esperando um trem, Ignacio Agüero vai além do registro de uma oficina e revela o cinema como um direito e um território de imaginação, expressão e abertura para o mundo. Em meio à pobreza, às desigualdades e à repressão política, a criação coletiva abre uma brecha para que as crianças brinquem, expressem seus sentimentos e desejos e ampliem seus horizontes.

Antes da exibição, Cezar Migliorin e Patrícia Durães apresentam o contexto em que nasceu o trabalho de Alicia Vega e comentam sua importância para as relações entre cinema e educação. Uma breve introdução sobre acesso à arte, formação do olhar e a potência sensível, lúdica e política de criar com as imagens.

Cezar Migliorin é professor de Cinema da Universidade Federal Fluminense, pesquisador, cineasta, ensaísta e psicanalista. É um dos criadores do Laboratório Kumã e do projeto Inventar com a Diferença — Cinema, Educação e Direitos Humanos, realizado com professores e estudantes de escolas públicas de diferentes regiões do Brasil. É autor de Inevitavelmente cinema: educação, política e mafuá, entre outras publicações, e codiretor, com Isaac Pipano, do documentário Educação. Em seus trabalhos, investiga as relações entre cinema, educação, política e subjetividade.

Patrícia Durães é educadora, musicista, idealizadora, diretora e curadora da Ciranda de Filmes. Há mais de 30 anos desenvolve projetos que aproximam cinema e educação e contribuem para a formação de novos públicos. Criou o Projeto Escola no Cinema e o Clube do Professor, iniciativas pioneiras na relação entre escolas, educadores e salas de exibição, e colaborou com o Festival da Juventude da Mostra Internacional de Cinema em São Paulo. Em sua trajetória como curadora e exibidora, compreende o cinema como experiência de encontro, ampliação de repertório e formação de um olhar sensível e crítico para o mundo.