Reflexões sobre a superexposição de crianças e jovens às telas.

Com Letícia Carvalho Silva, Marina Helou e mediação de Lourdes Atié.

Desde antes de nascer, Luca vive sob o olhar de uma câmera. Aos 16 anos, tornou-se o rosto do império digital construído por seus pais influenciadores: sua imagem, seus afetos e os acontecimentos mais íntimos de sua vida alimentam uma narrativa familiar acompanhada por milhões de pessoas. Quando os pais decidem ter outro bebê, Luca começa a perceber que, naquele universo, ocupa ao mesmo tempo o lugar de filha, estrela e produto, e tenta descobrir o que, afinal, ainda lhe pertence.

Com humor ácido e crescente desconforto, Babystar provoca boas reflexões sobre os limites entre cuidado e exploração, intimidade e espetáculo, memória e produção de conteúdo.

Após o filme, a conversa aproxima essas questões da realidade brasileira para discutir exposição precoce, direito à imagem e à privacidade, consentimento, responsabilidade familiar e o papel do Estado na relação com as plataformas digitais. E já lançamos uma questão: quando uma infância inteira é compartilhada antes mesmo que a criança possa escolher, quem protege o seu direito de construir a própria história e de fazer as suas escolhas?

Letícia Carvalho Silva – coordenadora de Assuntos Internacionais do Alana. Mestre e bacharel em Direito pela Faculdade de Direito da USP

Lourdes Atié – socióloga e educadora, formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, com especialização em Educação pela Flacso Argentina. Há mais de 30 anos, dedica-se à formação de professores e gestores e à assessoria de escolas, redes de ensino e projetos educacionais em diferentes regiões do Brasil. Em seu trabalho, aproxima pesquisa, escuta e experiência para refletir sobre os desafios cotidianos da educação e sobre os vínculos entre escola, família e sociedade. Como mediadora, cultiva conversas capazes de acolher diferentes pontos de vista e transformar perguntas urgentes em possibilidades coletivas de reflexão.

Marina Helou – administradora pública e deputada estadual por São Paulo. Formada pela Fundação Getúlio Vargas, construiu sua trajetória em diálogo com temas como primeira infância, educação, sustentabilidade e direitos das mulheres. Coordena a Frente Parlamentar pela Primeira Infância na Assembleia Legislativa e é autora de iniciativas voltadas à proteção e ao desenvolvimento integral das crianças. Entre elas, está a lei paulista que restringe o uso de celulares nas escolas. Mãe de dois filhos, Marina defende que cuidar das infâncias é uma responsabilidade compartilhada entre famílias, escolas, comunidades e poder público.