Crianças e jovens e o direito à cidade.
Sessão especial com a diretora Ana Petta, Pedro, personagem do filme, e a escritora e pesquisadora Regina Cintra.Uma pequena vila pode conter um mundo inteiro. Entre árvores, quintais, vizinhos e brincadeiras, Pedro, aos 4 anos, constrói a sua relação com o lugar onde vive. Quando as casas são ameaçadas de demolição, esse território de afetos começa a desaparecer diante de seus olhos. Conduzido pela imaginação e pelo olhar atento do menino, Amora acompanha a mobilização dos moradores e revela o que também se perde quando uma paisagem é apagada: memórias, amizades, vínculos e modos comunitários de viver.
Após a exibição, o filme abre uma conversa sobre as cidades que oferecemos às crianças e aquelas que elas nos ajudam a imaginar quando as escutamos com presença. Que espaços reservamos para a convivência, o contato com a natureza, a liberdade e o brincar em territórios urbanos cada vez mais submetidos à especulação imobiliária, à poluição, violência e ao isolamento?
Sem ignorar os impactos do descuido e da prevalência dos interesses privados na vida urbana, a sessão busca também iluminar experiências que vêm transformando positivamente as cidades. Um convite a pensar o direito à cidade também como direito à vizinhança, à brincadeira, à memória, às áreas verdes, ao ar limpo e à construção de vínculos. Afinal, uma cidade boa para as crianças é melhor para todos nós.
Ana Petta é atriz, diretora e produtora. Nascida em Campinas, formou-se em Artes Cênicas pela Universidade de São Paulo. Idealizou e produziu Repare Bem, de Maria de Medeiros, e codirigiu os documentários Osvaldão e Quando Falta o Ar, este último realizado com Helena Petta e vencedor do prêmio de melhor documentário brasileiro no festival É Tudo Verdade. É também criadora e atriz da série Unidade Básica. Em Amora, parte da experiência vivida com os filhos e os vizinhos da vila onde moravam para construir um filme íntimo e político sobre infância, memória, pertencimento e as transformações da cidade.
Pedro, filho de Ana Petta, viveu de perto, ao lado da irmã Maria, a história que deu origem a Amora. Com seu olhar curioso e imaginativo, conduz o filme pela vila, pelos vínculos com os vizinhos e pela experiência de despedida dos lugares que faziam parte de seu cotidiano. Sua presença na conversa aproxima o público da perspectiva das crianças sobre as transformações da cidade e sobre os espaços onde constroem memórias, amizades e sentidos de pertencimento.
Regina Cintra é jornalista, mestre em Gestão e Políticas Públicas pela FGV-SP e autora de Cidades que abraçam infâncias, publicado em 2026 pela Editora Dialética. Atuou por mais de uma década como assessora de imprensa no setor audiovisual, atendendo produtoras, agências, canais de televisão e iniciativas da Secretaria da Cultura de São Paulo. Trabalhou também na Fundação Seade e foi editora da Cidade Escola Aprendiz. Atualmente, é consultora de mobilidade e colaboradora do Caos Planejado, onde escreve sobre as relações entre cidades e crianças.

