{"id":576,"date":"2020-10-15T10:11:31","date_gmt":"2020-10-15T13:11:31","guid":{"rendered":"https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/cirandacirandinha\/?p=576"},"modified":"2020-10-15T23:38:32","modified_gmt":"2020-10-16T02:38:32","slug":"o-lugar-do-sonho-na-literatura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/o-lugar-do-sonho-na-literatura\/","title":{"rendered":"O lugar do sonho na literatura infantil"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Alexandre Rampazo, L\u00facia Hiratsuka, Aline Abreu e outros escritores, ilustradores e profissionais do livro dividem suas hist\u00f3rias preferidas sobre sonhos<\/em><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignwide size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"588\" src=\"https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/cirandacirandinha\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Os-convidados-de-senhora-olga_img-chave-1.gif\" alt=\"\" class=\"wp-image-808\"\/><figcaption>Imagem do Livro &#8220;Os convidados da senhora Olga&#8221;<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Por Renata Penzani, jornalista especialista em literatura infantil<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201c &#8211; Acorde, querida Alice &#8211; dizia sua irm\u00e3 &#8211; mas que sono pesado voc\u00ea teve!<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>&#8211; Ah, eu tive um sonho t\u00e3o esquisito! &#8211; disse Alice. E p\u00f4s-se a contar \u00e0 irm\u00e3, at\u00e9 quanto podia se lembrar, todas essas estranhas Aventuras que voc\u00eas acabaram de ler. E quando terminou, sua irm\u00e3 beijou-a, dizendo:<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>&#8211; Foi um sonho bem curioso, sem d\u00favida, minha querida , mas agora corra, \u00e9 hora do ch\u00e1, e j\u00e1 est\u00e1 ficando tarde.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Alice levantou-se e saiu correndo, pensando, enquanto corria, que sonho maravilhoso tinha sido aquele.<\/em>\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>O di\u00e1logo acima faz parte de uma obra m\u00edstica, m\u00e1gica e&nbsp; &#8211; por que n\u00e3o? &#8211; algo lis\u00e9rgica da literatura para crian\u00e7as. Estamos falando de \u201cAlice no Pa\u00eds das Maravilhas\u201d, uma das narrativas on\u00edricas mais conhecidas do repert\u00f3rio liter\u00e1rio mundial. At\u00e9 os dias de hoje, mesmo passado mais de um s\u00e9culo de sua publica\u00e7\u00e3o, o livro ainda \u00e9 um s\u00edmbolo hist\u00f3rico de resist\u00eancia contra o conservadorismo cultural.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Na hist\u00f3ria, uma menina chamada Alice est\u00e1 entediada folheando um livro sem figuras quando de repente avista um coelho branco e adentra um mundo desconhecido. Tudo acontece depois que ela dorme debaixo de uma \u00e1rvore na companhia da irm\u00e3.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Publicada pela primeira vez em 1865, a viagem-sonho de Alice atravessou os tempos com uma espantosa atualidade, e se transformou em refer\u00eancia quando o assunto \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o entre a literatura e o universo on\u00edrico.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Afinal, um texto do s\u00e9culo XIX n\u00e3o perder sua for\u00e7a \u00e9 ind\u00edcio de que sonhar continua sendo ao longo dos tempos uma possibilidade universal de supera\u00e7\u00e3o do real. Como diria a can\u00e7\u00e3o de Milton Nascimento, \u201csonhos n\u00e3o envelhecem\u201d e nem t\u00eam pavio. Sua inacab\u00e1vel chama acesa parece ser, sempre, a necessidade humana de ir al\u00e9m da realidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Aqui, vamos refletir um pouco mais de perto sobre esse ponto de contato entre a fic\u00e7\u00e3o e o sonho, a partir de uma pergunta: qual o lugar do sonho na literatura dita \u201cpara crian\u00e7as\u201d? (e aqui as aspas envolvendo o adjetivo n\u00e3o s\u00e3o por acaso, afinal, a delimita\u00e7\u00e3o et\u00e1ria n\u00e3o deve limitar a quem serve uma hist\u00f3ria).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Inf\u00e2ncia e sonho<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em \u201cAlice no pa\u00eds das maravilhas\u201d, um detalhe logo no in\u00edcio do livro faz toda a diferen\u00e7a na interpreta\u00e7\u00e3o do que se passa: dentre as duas irm\u00e3s, uma delas vai, enquanto a outra fica. Uma est\u00e1 com os p\u00e9s fincados na realidade, que lhe parece t\u00e3o insuficiente quanto pass\u00edvel de ser superada, enquanto a outra passa a seguir um despropositado coelho falante e apressado. Ou seja, quais s\u00e3o as bases que nos prendem a experi\u00eancia concreta, e como elas dialogam com as vis\u00f5es do sonho?<\/p>\n\n\n\n<p>Se pensarmos na fun\u00e7\u00e3o social do ato de ouvir e contar hist\u00f3rias, podemos entender que o gesto de imaginar outros mundos al\u00e9m deste \u00e9 uma forma de n\u00e3o sucumbir \u00e0 ideia de que isto que vemos \u00e9 tudo o que existe. N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que, desde o nascimento, estamos sempre contando coisas uns aos outros. \u201cO universo \u00e9 feito de hist\u00f3rias, n\u00e3o de \u00e1tomos\u201d, j\u00e1 diria a poeta Muriel Rukeyser, em \u201cThe speed of darkness\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>No c\u00e9lebre livro \u201cO c\u00edrculo dos mentirosos\u201d, Jean-Claude Carri\u00e8re compartilha sua ideia de que as narrativas que ouvimos na inf\u00e2ncia s\u00e3o a nossa primeira catapulta rumo ao al\u00e9m-mundo. \u201c\u00c9 por meio do \u2018era uma vez\u2019 que o ato de ir al\u00e9m do mundo, em outras palavras, a metaf\u00edsica, \u00e9 introduzida na inf\u00e2ncia de cada indiv\u00edduo, e talvez tamb\u00e9m na dos povos, a ponto de muitas vezes fazer se aprofundar ali uma raiz t\u00e3o forte que nos faz tomar nossas inven\u00e7\u00f5es humanas, toda nossa vida, por uma realidade que n\u00e3o admite nenhuma discuss\u00e3o.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Da mesma forma como o fazem as hist\u00f3rias, o ato de sonhar nos coloca em contato com outras narrativas de n\u00f3s e dos nossos mundos individuais e coletivos, ao juntar e sintetizar imagens e aprendizados vividos quando estamos acordados. Segundo o neurocientista Sidarta Ribeiro, no livro \u201cOr\u00e1culo da noite\u201d, \u201ca mat\u00e9ria dos sonhos \u00e9 a mem\u00f3ria; ningu\u00e9m sonha sem ter vivido\u201d. Para ele, \u201co sonho \u00e9 um simulacro da realidade feito de fragmentos de mem\u00f3rias\u201d. Nesse sentido, sonhos parecem se mover com a mesma engrenagem das hist\u00f3rias: o desejo de nos imaginarmos outros. \u201cO sonho \u00e9 a imagina\u00e7\u00e3o sem freio nem controle, pronta para temer, criar, perder e achar\u201d, diz o pesquisador.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-pullquote\"><blockquote><p>\u201cA mat\u00e9ria dos sonhos \u00e9 a mem\u00f3ria; ningu\u00e9m sonha sem ter vivido\u201d<\/p><cite>Sidarta Ribeiro<\/cite><\/blockquote><\/figure>\n\n\n\n<p>No final do livro de Lewis Caroll, \u00e9 a vez de a irm\u00e3 de Alice passar a sonhar, momento em que ela pr\u00f3pria passa a tornar concreta a imensa quantidade de maravilhas vivenciada pela protagonista. \u201cE enquanto escutava &#8211; ou pensava escutar, todo o espa\u00e7o em torno dela tornava-se povoado das estranhas criaturas do sonho de sua irm\u00e3zinha\u201d, escreve Carroll.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Por que o escritor escolheu esse desfecho, e n\u00e3o outro? Por que em uma das hist\u00f3rias mais conhecidas da literatura cl\u00e1ssica infantil a realidade \u00e9 apresentada como aquilo que acontece no espa\u00e7o entre duas dimens\u00f5es? Ao leitor, fica a d\u00favida de qual delas \u00e9 a verdadeira, se tudo de fato n\u00e3o passou de sonho ou se, ao contr\u00e1rio, o que chamamos de realidade na verdade talvez n\u00e3o passe de uma mal ajambrada ilus\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Parte da\u00ed a pergunta que move este texto e a pr\u00f3pria edi\u00e7\u00e3o 2020 da Ciranda de Filmes: afinal, qual o papel do sonho na vida das gentes desse mundo?<\/p>\n\n\n\n<p>A jornalista Cristiane Rogerio, em um texto publicado em seu site Esconderijos do tempo, faz pensar na proximidade entre brincar e reinventar a vida &#8211; portanto, sonhar.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cCerta vez, Lewis Carroll escreveu numa carta para uma crian\u00e7a sua amiga: <em>\u201cVoc\u00ea costuma brincar de vez em quando? Ou a ideia que voc\u00ea faz da vida \u00e9 \u2018caf\u00e9 da manh\u00e3, fazer li\u00e7\u00f5es, almo\u00e7o, fazer li\u00e7\u00f5es e assim por diante?\u2026 Essa seria uma forma muito organizada de viver, e seria t\u00e3o interessante quanto ser uma m\u00e1quina de costura ou um moedor de caf\u00e9\u201d<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>A ci\u00eancia tem numerosas e diferentes respostas \u00e0 pergunta \u201cpor que sonhamos?\u201d. Mas afinal, na melhor das hip\u00f3teses, sonhamos e imaginamos outros mundos para escapar de viver como m\u00e1quinas. N\u00e3o por acaso, tudo o que existe foi, antes, o sonho de algu\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-normal-font-size\"><strong>Vamos \u00e0 lista de livros!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Para fazer coro \u00e0 famosa ideia de que sonho sonhado junto \u00e9 quase realidade, convidamos 13 profissionais do livro para repercutir suas no\u00e7\u00f5es do que \u00e9, como \u00e9, e onde aparece o sonho nos livros para crian\u00e7as. A lista abaixo foi produzida coletivamente, e cada obra foi sugerida por um profissional diferente ligado ao livro e \u00e0 inf\u00e2ncia.<\/p>\n\n\n\n<p>Aproveite as dicas e boa leitura!<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Os convidados de senhora Olga<\/em>, de Eva Montanari<\/strong><br><strong>(Jujuba)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-style-default\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"588\" src=\"https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/cirandacirandinha\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Os-convidados-de-senhora-olga_img-chave-2.gif\" alt=\"\" class=\"wp-image-809\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>&#8220;As imagens delicadas s\u00e3o muito divertidas e apresentam cenas com um <em>nonsense<\/em> que refor\u00e7am toda a atmosfera de um tipo especial de sonho: o sonhar acordado da imagina\u00e7\u00e3o. A escritora e ilustradora italiana Eva Montanari cria imagens luminosas e emprega a t\u00e9cnica do pastel seco de modo que cada elemento das cenas parece brotar do papel. Nessa hist\u00f3ria, Eva nos conta sobre uma senhora que vive sozinha no alto de uma colina. A senhora Olga n\u00e3o v\u00ea com os olhos mas sabe muito bem quem vem para jantar todas as noites, sempre um convidado diferente, cada um com suas manias. Eva Montanari apresenta uma s\u00e9rie de convidados que s\u00e3o personagens de outras obras liter\u00e1rias bastante conhecidas e, ao final, quando descobrimos um segredo&#8230; as ilustra\u00e7\u00f5es mais uma vez mostram o poder m\u00e1gico da imagina\u00e7\u00e3o. S\u00e3o muitos os livros que nos fazem sonhar com coisas que nunca vimos, viajar para muito longe ou bem para dentro, de olhos fechados ou abertos. \u00c9 bom demais estar perto desses livros&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Aline Abreu, escritora e ilustradora<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u201cHora de sair da banheira, Shirley!\u201d, de John Burningham<\/strong> <strong>(Cosac &amp; Naify)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-style-default\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1000\" height=\"943\" src=\"https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/cirandacirandinha\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/hora-de-sair-da-banheira.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-810\" srcset=\"https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/hora-de-sair-da-banheira.jpg 1000w, https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/hora-de-sair-da-banheira-300x283.jpg 300w, https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/hora-de-sair-da-banheira-768x724.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>&#8220;Tem este sonhar que habita na crian\u00e7a, esteja ela dormindo profundamente e navegando em seus sonhos mais profundos ou, o que \u00e9 mais fascinante, quando a crian\u00e7a est\u00e1 desperta dentro da possibilidade que brota na poesia que percebe na vida, e ainda assim, se permite sonhar. A menina Shirley, na hora do banho, na contram\u00e3o dos pedidos da m\u00e3e, sonha que, naquele momento que s\u00f3 \u00e0 ela pertence, outros mundos s\u00e3o poss\u00edveis. O encantamento que h\u00e1 no livro \u00e9 justamente esse: percebermos que para a crian\u00e7a, n\u00e3o h\u00e1 constrangimentos em habitar outras realidades e possibilidades do sonhar a todo momento, mesmo que estes sonhos aconte\u00e7am longe do travesseiro.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p><em>Alexandre Rampazo, escritor e ilustrador<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u201cA casa da madrinha\u201d, de Lygia Bojunga<\/strong><br><strong>(Casa Lygia Bojunga)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"361\" height=\"499\" src=\"https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/cirandacirandinha\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/a-casa-da-madrinha.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-813\" srcset=\"https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/a-casa-da-madrinha.jpg 361w, https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/a-casa-da-madrinha-217x300.jpg 217w\" sizes=\"auto, (max-width: 361px) 100vw, 361px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>\u201c\u2018A casa da madrinha\u2019, de Lygia Bojunga. Essa casa \u00e9 o lugar do sonho que d\u00e1 sentido \u00e0 vida dura do personagem Alexandre, menino pobre, que vende sorvete na praia para ajudar a fam\u00edlia. \u00c9 um texto recheado de simbologias e fiquei impressionada pela forma como a autora conseguiu mesclar realidade e fantasia para falar de emo\u00e7\u00f5es t\u00e3o profundas. Os di\u00e1logos \u00e1geis tamb\u00e9m me encantaram.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><em>L\u00facia Hiratsuka, escritora e ilustradora<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>A bicicleta que tinha bigodes, de Ondjaki <\/strong><br><strong>(Pallas)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"337\" height=\"499\" src=\"https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/cirandacirandinha\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/a-bicicleta-que-tinha-bigodes.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-814\" srcset=\"https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/a-bicicleta-que-tinha-bigodes.jpg 337w, https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/a-bicicleta-que-tinha-bigodes-203x300.jpg 203w\" sizes=\"auto, (max-width: 337px) 100vw, 337px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>\u201cEu n\u00e3o sei andar de bicicleta. Parece bobo, mas \u00e9 um sonho que estou tentando realizar mesmo depois de virar &#8220;gente grande&#8221;. \u00c9 por isso que indico o livro <em>\u201cA bicicleta que tinha bigodes\u201d<\/em>, obra infanto-juvenil do escritor angolano Ondjaki, que trouxe para mim a conex\u00e3o com um sonho antigo. Esta \u00e9 uma hist\u00f3ria que nos conduz a ver leveza e encanto na vida, mesmo diante de um cen\u00e1rio conturbado. Mostra tamb\u00e9m o papel da crian\u00e7a como s\u00edmbolo de esperan\u00e7a e fonte de inspira\u00e7\u00e3o para a literatura em tempos dif\u00edceis.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><em>Kemla Baptista, contadora de hist\u00f3rias, educadora e autora<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u201cMandela, o africano de todas as cores\u201d, de Alain Serres; Za\u00fc <\/strong><br><strong>(Pequena Zahar)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/cirandacirandinha\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/mandela-o-africano-de-todas-as-cores-1024x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-815\" srcset=\"https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/mandela-o-africano-de-todas-as-cores-1024x1024.jpg 1024w, https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/mandela-o-africano-de-todas-as-cores-300x300.jpg 300w, https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/mandela-o-africano-de-todas-as-cores-150x150.jpg 150w, https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/mandela-o-africano-de-todas-as-cores-768x769.jpg 768w, https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/mandela-o-africano-de-todas-as-cores-1536x1536.jpg 1536w, https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/mandela-o-africano-de-todas-as-cores-2046x2048.jpg 2046w, https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/mandela-o-africano-de-todas-as-cores-1200x1201.jpg 1200w, https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/mandela-o-africano-de-todas-as-cores-1980x1982.jpg 1980w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>\u201cQuem sonha um pa\u00eds? Como viveriam as pessoas no pa\u00eds dos seus sonhos? O que fazer para se tornar realidade? Estas s\u00e3o algumas perguntas que o livro \u2018Mandela, o africano de todas as cores\u2019, de Alain Serres e Za\u00fc desenha em texto, projeto e imagens um sonho que podemos chamar de coletivo e que passa por pesadelos descoloridos (ou sonhos reprimidos?) at\u00e9 uma conquista que muitos acreditavam ser apenas utopia da \u00c1frica do Sul de ent\u00e3o! E como sonhos realizados inspiram novos sonhos!\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><em>Magno Rodrigues Faria, educador, contador de hist\u00f3rias, e coordenador pedag\u00f3gico do Instituto Acaia<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Sulwe,<\/em> de Lupita Nyong&#8217;o &#8211; (Rocco Pequenos Leitores)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"396\" height=\"499\" src=\"https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/cirandacirandinha\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/sulwe.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-816\" srcset=\"https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/sulwe.jpg 396w, https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/sulwe-238x300.jpg 238w\" sizes=\"auto, (max-width: 396px) 100vw, 396px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>\u201cSulwe \u00e9 a hist\u00f3ria de uma menina negra retinta que vive com a m\u00e3e, o pai e a irm\u00e3, negros de pele mais clara. Com o tempo, ela se v\u00ea diferente da fam\u00edlia e de todos que a cercam.&nbsp; A menina quase n\u00e3o t\u00eam amigos, ao contr\u00e1rio da irm\u00e3, que vive sendo elogiada por sua beleza e claridade. Sulwe come\u00e7a a viver infeliz com a sua apar\u00eancia; triste pelos cantos. Sua m\u00e3e, ao perceber, explica sobre as diferentes belezas que h\u00e1 no mundo. Ela entende com a cabe\u00e7a, mas n\u00e3o com o cora\u00e7\u00e3o. Certa noite, uma estrela cadente aparece em seu quarto e lhe conta uma hist\u00f3ria. Atrav\u00e9s do sonho,&nbsp; a menina compreende o encanto da sua pele, escura como a noite. Nessa f\u00e1bula, percebemos o sonho, n\u00e3o como uma experi\u00eancia cotidiana, mas como um exerc\u00edcio de busca por orienta\u00e7\u00e3o para as escolhas da vida. H\u00e1 quem encontre nos sonhos a cura, a inspira\u00e7\u00e3o e a resolu\u00e7\u00e3o de quest\u00f5es pr\u00e1ticas. Por vezes, o que n\u00e3o discernimos racionalmente, se manifesta e se resolve atrav\u00e9s dos nossos sonhos.\u201d<strong>&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><em>Anderson Barreto, ator, performer e contador de hist\u00f3rias<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u201cBarriga de Baleia\u201d, de Ant\u00f3nio Jorge Gon\u00e7alves<\/strong><br><strong>(MOV Palavras)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"804\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/cirandacirandinha\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/barriga-de-baleia-804x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-817\" srcset=\"https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/barriga-de-baleia-804x1024.jpg 804w, https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/barriga-de-baleia-235x300.jpg 235w, https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/barriga-de-baleia-768x979.jpg 768w, https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/barriga-de-baleia-1205x1536.jpg 1205w, https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/barriga-de-baleia-1607x2048.jpg 1607w, https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/barriga-de-baleia-1200x1529.jpg 1200w, https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/barriga-de-baleia-1980x2523.jpg 1980w, https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/barriga-de-baleia.jpg 2009w\" sizes=\"auto, (max-width: 804px) 100vw, 804px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>\u201cComecei distraidamente, lendo para o meu filho Benjamin, numa noite qualquer de uns 3 anos atr\u00e1s, minha rela\u00e7\u00e3o com esse livro do portugu\u00eas Ant\u00f3nio Jorge Gon\u00e7alves. Adultos que dormem. Uma crian\u00e7a &#8211; Sari &#8211; que pode ser inteira enquanto os adultos se entregam ao sono\/sonho. Sari tamb\u00e9m pode sonhar, desobedecer os limites da &#8220;pr\u00f3pria casa&#8221;&nbsp; para avan\u00e7ar rumo a uma experi\u00eancia do litoral da paisagem at\u00e9 o mar bravio das vontades. Engolida por uma baleia, como Jonas, Gon\u00e7alves ilustra as emo\u00e7\u00f5es oce\u00e2nicas da personagem. Os adultos despertam quando tudo pode ser devolvido a alguma normalidade. E esse ser\u00e1 o retorno da menina ao aconchego da pr\u00f3pria cama. Talvez s\u00f3 haja repouso para uma crian\u00e7a, quando sua parentalidade encontra a justa medida entre o sono e a vig\u00edlia.\u201d&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><em>Giuliano Tierno, educador, contador de hist\u00f3rias e gestor da A Casa Tombada<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>O C\u00e2ntico dos C\u00e2nticos<\/em>, de \u00c2ngela-Lago<\/strong><br><strong>(Sesi-SP)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"347\" height=\"499\" src=\"https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/cirandacirandinha\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/o-cantico-dos-canticos.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-818\" srcset=\"https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/o-cantico-dos-canticos.jpg 347w, https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/o-cantico-dos-canticos-209x300.jpg 209w\" sizes=\"auto, (max-width: 347px) 100vw, 347px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>\u201cEm que lugar seria poss\u00edvel encontrar reunidos um poema de amor escrito h\u00e1 3 mil anos, labirintos, espirais, o dia e a noite, as obras do artista Escher, iluminuras medievais e isl\u00e2micas, encontros e desencontros, o fim e o come\u00e7o? Em um sonho, \u00e9 claro! Quando abrimos o livro \u2018O C\u00e2ntico dos C\u00e2nticos\u2019, da incr\u00edvel artista \u00c2ngela Lago, \u00e9 como se estiv\u00e9ssemos entrando em um sonho. Ele traz aquela sensa\u00e7\u00e3o de deslumbramento e mist\u00e9rio t\u00e3o pr\u00f3pria do universo on\u00edrico. Como \u00e9 pr\u00f3prio de uma obra de arte, \u2018O C\u00e2ntico dos C\u00e2nticos\u2019 se abre para uma infinidade de leituras, possibilitando que o leitor viva de fato uma experi\u00eancia, bastando apenas que sejam sens\u00edveis \u00e0s delicadezas da arte e do amor.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><em>Amanda Miorim, professora e contadora de hist\u00f3rias<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>O meu amigo pintor<\/em>, de Lygia Bojunga <\/strong><br><strong>(Casa Lygia Bojunga)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"347\" height=\"499\" src=\"https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/cirandacirandinha\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/o-meu-amigo-pintor.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-819\" srcset=\"https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/o-meu-amigo-pintor.jpg 347w, https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/o-meu-amigo-pintor-209x300.jpg 209w\" sizes=\"auto, (max-width: 347px) 100vw, 347px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>\u201cEm \u2018O meu amigo pintor\u2019, meu texto preferido de Lygia Bojunga, dois sonhos do menino Cl\u00e1udio, devastado pelo suic\u00eddio do seu melhor Amigo, s\u00e3o verdadeiras encruzilhadas que misturam mem\u00f3ria e arte, vida e morte. Neles, o menino traz \u00e0 vida um quadro abstrato do seu Amigo \u2014 a obra de um artista \u00e9, afinal, uma chave para sua vida e, \u00e0s vezes, para sua morte. No primeiro sonho, Cl\u00e1udio se assombra com o Amigo no papel de fantasma, deslocado no teatro da vida, perdido no palco da morte, quase arrependido de t\u00ea-la escolhido, num limbo que \u00e9 dele e tamb\u00e9m do menino. No segundo, mais conciliador, as tr\u00eas grandes paix\u00f5es do pintor em vida (a pintura, a pol\u00edtica e Clarice) asseguram a Cl\u00e1udio que seu Amigo vai viver feliz e em paz para sempre na morte. Tal qual uma tinta incorpora outra, seu amor pelo Amigo toda-a-vida absorve, aos poucos, seu luto e incompreens\u00e3o, e ent\u00e3o uma paz muito pequena, muito grande, abra\u00e7a Cl\u00e1udio e o leitor.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><em>Guilherme Semionato, escritor<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Hist\u00f3rias de \u00edndio<\/em>, de Daniel Munduruku<\/strong><br><strong>(Companhia das Letrinhas)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"385\" height=\"499\" src=\"https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/cirandacirandinha\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/historias-de-indio.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-820\" srcset=\"https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/historias-de-indio.jpg 385w, https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/historias-de-indio-231x300.jpg 231w\" sizes=\"auto, (max-width: 385px) 100vw, 385px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p><br>\u201cMeu primeiro livro, \u2018Hist\u00f3rias de \u00edndio\u2019, tem um conto intitulado &#8220;O menino que n\u00e3o sabia sonhar&#8221;. O conto narra como um curumim, que nasceu com o dom para ser paj\u00e9, teve que aprender a arte do sonhar para poder seguir seu caminho como curandeiro dentro de sua comunidade.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><em>Daniel Munduruku, escritor e professor<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Alice no pa\u00eds das maravilhas<\/em>, de Lewis Carroll &#8211; (Cl\u00e1ssicos Zahar)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery columns-1 is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\"><ul class=\"blocks-gallery-grid\"><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"352\" height=\"499\" src=\"https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/cirandacirandinha\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/alice-no-pais-das-maravilhas.jpg\" alt=\"\" data-id=\"821\" data-full-url=\"https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/cirandacirandinha\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/alice-no-pais-das-maravilhas.jpg\" data-link=\"https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/cirandacirandinha\/?attachment_id=821\" class=\"wp-image-821\" srcset=\"https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/alice-no-pais-das-maravilhas.jpg 352w, https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/alice-no-pais-das-maravilhas-212x300.jpg 212w\" sizes=\"auto, (max-width: 352px) 100vw, 352px\" \/><\/figure><\/li><\/ul><\/figure>\n\n\n\n<p>\u201cDif\u00edcil escolher uma \u00fanica obra sobre sonhos, acredito que o motivo da viagem \u00e0 mundos on\u00edricos esteja na pr\u00f3pria ra\u00edz de se contar hist\u00f3rias. \u2018Alice no pa\u00eds das maravilhas\u2019, de Lewis Carroll e \u201cA menina do narizinho arrebitado\u201d de Monteiro Lobato s\u00e3o marcos da literatura infantil que bebem dessa fonte. Mas vamos l\u00e1: logo de sa\u00edda me vem ao cora\u00e7\u00e3o \u2018Little Nemo in Slumberland\u2019, do genial Winsor McCay, um dos pais do cinema de anima\u00e7\u00e3o. Seu tra\u00e7o elegante e maravilhosas aquarelas narravam as aventuras ins\u00f3litas, cheias de beleza e toques de surrealismo no reino de Morfeu. Hist\u00f3rias que sempre terminavam com o menino Nemo despertando em sua cama. O mestre Maurice Sendak, em seu \u2018In the Night Kitchen\u2019 faz rever\u00eancia ao pequeno Nemo. Em meu trabalho, ilustrei algumas hist\u00f3rias tendo sonhos como matriz, uma delas \u00e9 \u2018Sonhe-me!\u2019, livro com bonito texto da escritora Padmini. Para narrar em imagens esta hist\u00f3ria, busquei abrigo nesses gigantes e tamb\u00e9m no querido Eduardo Galeano com seu \u2018O livros dos abra\u00e7os\u2019 e seus sonhos de Helena.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><em>Mateus Rios, ilustrador<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Harvey &#8211; Como me tornei invis\u00edvel<\/em>, de Herv\u00e9 Bouchard e Janice Nadeau<\/strong><br><strong>(Pulo do Gato)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/cirandacirandinha\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/harvey-como-me-tornei-invisivel.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-822\" width=\"394\" height=\"521\" srcset=\"https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/harvey-como-me-tornei-invisivel.jpg 260w, https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/harvey-como-me-tornei-invisivel-227x300.jpg 227w\" sizes=\"auto, (max-width: 394px) 100vw, 394px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>&#8220;\u00c9 um livro em que o sonho se contrap\u00f5e \u00e0 realidade para que o personagem possa sobreviver psiquicamente \u00e0 morte s\u00fabita do pai. Para tentar elaborar a dor, proteger-se dos sentimentos desconhecidos que o invadem, ele recorre ao \u201csonho\u201d acordado, resgatando o her\u00f3i de um filme que assistiu escondido, em que, inexplicavelmente, o personagem vai encolhendo at\u00e9 se tornar invis\u00edvel. Scott Carr\u00e9 \u00e9 Harvey, Harvey \u00e9 Scott Carr\u00e9, um elo metaf\u00f3rico em que a identifica\u00e7\u00e3o com outro d\u00e1 recursos pra nomear o que est\u00e1 vivendo&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p><em>M\u00e1rcia Leite, escritora e publisher da Pulo do Gato<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Coragem de sonhar<\/em>, de Maria Dinorah<\/strong><br><strong>(Moderna)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery columns-1 is-cropped wp-block-gallery-2 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\"><ul class=\"blocks-gallery-grid\"><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"752\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/cirandacirandinha\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/coragem-de-sonhar-1-752x1024.jpg\" alt=\"\" data-id=\"824\" data-full-url=\"https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/cirandacirandinha\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/coragem-de-sonhar-1.jpg\" data-link=\"https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/cirandacirandinha\/?attachment_id=824\" class=\"wp-image-824\" srcset=\"https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/coragem-de-sonhar-1-752x1024.jpg 752w, https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/coragem-de-sonhar-1-220x300.jpg 220w, https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/coragem-de-sonhar-1-768x1046.jpg 768w, https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/coragem-de-sonhar-1.jpg 881w\" sizes=\"auto, (max-width: 752px) 100vw, 752px\" \/><\/figure><\/li><\/ul><\/figure>\n\n\n\n<p>\u201cO livro \u00e9 delicado e traz os sonhos n\u00e3o apenas no t\u00edtulo, como no delicado conte\u00fado da obra que marcou minha inf\u00e2ncia. Nele &#8211; e a partir dele -, me percebi encorajado a tornar os sonhos de inf\u00e2ncia realidade, enfrentar os desafios do mundo e da (futura) vida adulta com brilho nos olhos e esperan\u00e7a no cora\u00e7\u00e3o, apesar das provoca\u00e7\u00f5es do destino e das limita\u00e7\u00f5es de uma cidade pequena. Foi atrav\u00e9s dessa coragem que, aos 17 anos, coloquei uma mochila nas costas e decidi ganhar o mundo, saindo de uma cidade pequena no Rio Grande do Sul para a capital de concreto em S\u00e3o Paulo, h\u00e1 quase 20 anos atr\u00e1s.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><em>Diego de Ox\u00f3ssi, babalorix\u00e1 e editor-chefe na Arole Cultural<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Contos de Lugares Distantes<\/em>, de Shaun Tan<\/strong><br><strong>(Cosac Naify)&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/cirandacirandinha\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/contos-de-lugares-distantes-1-1024x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-826\" srcset=\"https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/contos-de-lugares-distantes-1-1024x1024.jpg 1024w, https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/contos-de-lugares-distantes-1-300x300.jpg 300w, https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/contos-de-lugares-distantes-1-150x150.jpg 150w, https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/contos-de-lugares-distantes-1-768x768.jpg 768w, https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/contos-de-lugares-distantes-1-1536x1536.jpg 1536w, https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/contos-de-lugares-distantes-1-1200x1200.jpg 1200w, https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/contos-de-lugares-distantes-1.jpg 1600w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>O livro \u00e9 uma esp\u00e9cie de s\u00e9rie de cartas sonhadas. Come\u00e7a meio sem come\u00e7o e termina sem um final. Inicia-se na consulta a um s\u00e1bio b\u00fafalo incompreendido e se finda&nbsp; com um amoroso salvamento. Entre a sabedoria e o gesto, o australiano Shaun Tan nos eleva a possibilidades de mundos que, ao mesmo tempo que nos parece estranho soa familiar. Entre os 15 contos, ou nestas cartas de imaginar lugares, tem um tantinho ali que \u00e9 um presente: a preserva\u00e7\u00e3o da utopia. \u201cPreserva\u00e7\u00e3o\u201d mesmo, como um cultivo: hist\u00f3ria a hist\u00f3ria, a acreditarmos mais em n\u00f3s mesmos e no viver comum. \u00c9 tudo assim. Cartas de sonhos entre o fant\u00e1stico e o poss\u00edvel, nos confirmando que ambos andam mais de m\u00e3os dadas do que imaginamos.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Cristiane Rogerio, jornalista&nbsp; e coordenadora do curso O livro para a inf\u00e2ncia na Casa Tombada<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Alexandre Rampazo, L\u00facia Hiratsuka, Aline Abreu e outros escritores, ilustradores e profissionais do livro dividem suas hist\u00f3rias preferidas sobre sonhos Por Renata Penzani, jornalista especialista em literatura infantil \u201c &#8211; Acorde, querida Alice &#8211; dizia sua irm\u00e3 &#8211; mas que sono pesado voc\u00ea teve! &#8211; Ah, eu tive um sonho t\u00e3o esquisito! &#8211; disse Alice. [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1774,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_mo_disable_npp":"","footnotes":""},"categories":[2,9],"tags":[],"class_list":["post-576","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-olhares","category-olhares-2020"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/576","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=576"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/576\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":829,"href":"https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/576\/revisions\/829"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1774"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=576"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=576"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=576"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}