{"id":527,"date":"2019-05-20T12:04:50","date_gmt":"2019-05-20T15:04:50","guid":{"rendered":"https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/cirandacirandinha\/?p=527"},"modified":"2021-08-31T15:51:02","modified_gmt":"2021-08-31T18:51:02","slug":"quantas-musicas-cabem-num-rio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/quantas-musicas-cabem-num-rio\/","title":{"rendered":"Quantas m\u00fasicas cabem num rio?"},"content":{"rendered":"\r\n<p>Cantos de fi\u00e9is fervorosos em barcos rio abaixo, um homem marcando o ritmo de seu b\u00fafalo-bumba, uma artista de rua a cantar m\u00fasicas de sofr\u00eancia, o treme-treme das gangues do eletro, os sons que se entrela\u00e7am aos cantos dos p\u00e1ssaros e uma diva dos bailes de carimb\u00f3 amaz\u00f4nico, a entoar versos sobre banzeiros e pororocas, encantarias e especiarias. Essas e outras misturas comp\u00f5em as sonoridades da floresta no\u00a0<a href=\"https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/cirandinha\/filme\/275-Amazonia-groove\">&#8220;Amaz\u00f4nia Groove&#8221;<\/a>, longa-metragem documental que abre a Ciranda de Filmes 2019.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Quantas m\u00fasicas cabem num rio?, indaga um dos personagens do longa. Tal quest\u00e3o se agiganta quando o rio \u00e9 nada menos do que o caudaloso Amazonas, cujas \u00e1guas nascem nas montanhas peruanas dos Andes com o nome de Maranh\u00e3o, \u00e9 batizado de Solim\u00f5es ao adentrar o Brasil, correndo at\u00e9 Manaus, onde encontra o rio Negro e passa a ser chamado de Amazonas, rio com sede em dire\u00e7\u00e3o ao oceano Atl\u00e2ntico, no Delta do Maraj\u00f3. Nesse longo trajeto, s\u00e3o muitos os aspectos de ancestralidade, f\u00e9, mist\u00e9rio, encantamento, mem\u00f3ria e identidade banhados nessas \u00e1guas.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/_img\/_banco_imagens\/Amazonia.jpg\" alt=\"\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-4586\" src=\"https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Amazonia.jpg\" alt=\"\" width=\"580\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Amazonia.jpg 580w, https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Amazonia-300x155.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 580px) 100vw, 580px\" \/><\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n\r\n\r\n<p>\u00c9 percorrendo as \u00e1guas do Amazonas pelas lentes de Bruno Murtinho, tamb\u00e9m respons\u00e1vel pela dire\u00e7\u00e3o e pela montagem do filme, que adentramos furos e igarap\u00e9s, aportamos na agita\u00e7\u00e3o do mercado Ver-o-Peso, deslizamos em bailes em que casais dan\u00e7am juntinho. No percurso, uma diversidade de sons marcam o rio, \u201cnosso altar cultural\u201d, como bem define o poeta e pesquisador da cultura amaz\u00f4nica Jo\u00e3o de Jesus Paes Loureiro. Nessas \u00e1guas, \u201co artista \u00e9 celebrante e celebrado\u201d, ele completa, em breve apari\u00e7\u00e3o.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Com uma fotografia magistral que mergulha nos detalhes de muitas localidades e depois emerge em estonteantes paisagens que esticam horizontes, o filme faz do rio e da floresta, por vezes um teatro ou uma feira, um verdadeiro personagem. O longo plano sequ\u00eancia, silencioso, que abre o filme \u00e9 um chamado a uma entrega total \u00e0quelas \u00e1guas de muitos ritmos, m\u00edsticos ou tecnol\u00f3gicos. Parafraseando um dos personagens, que rasga numa festa a quietude da floresta com muita aparelhagem e diz que \u201cDeus \u00e9 o som\u201d, no filme a imagem \u00e9 a divindade maior.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-4588\" src=\"https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Groove.jpg\" alt=\"\" width=\"580\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Groove.jpg 580w, https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Groove-300x155.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 580px) 100vw, 580px\" \/><\/figure>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Nesse cen\u00e1rio-personagem pelas estradas aqu\u00e1ticas, em seu percurso, vamos conhecendo diversos personagens, an\u00f4nimos ou n\u00e3o, alguns de raro carisma. \u00c9 o caso da artista de rua que se apresenta nos arredores do Ver-o-Peso, na capital paraense: Gina Lobrista, filha de pais pernambucanos que migraram para a floresta em busca da fortuna na Serra Pelada. Seguindo a fala da m\u00e3e (\u201cGina, a vida \u00e9 um palco\u201d), \u00e0s 6h da manh\u00e3, ela j\u00e1 est\u00e1 se arrumando para seguir em dire\u00e7\u00e3o \u00e0s ruas de Bel\u00e9m. Ali, com a ajuda de Mister Bacalhau, a cantora de m\u00fasica de corno (com cinco casamentos e outras tantas chifradas, diz ser experiente no assunto) conta vender uns 200 CDs por dia. \u201cCom certeza, sou a artista que mais vende neste Brasil\u201d, dispara, rindo de modo descontra\u00eddo, sem falsa mod\u00e9stia.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Outra musa paraense a estrelar o document\u00e1rio, uma esp\u00e9cie de\u00a0<em>river movie<\/em>\u00a0musical, \u00e9 Dona Onete, como \u00e9 conhecida a cantora e compositora Ionete da Silveira Gama, \u201ca diva do carimbo chamegado\u201d. Dona de uma voz melodiosa, que n\u00e3o tem \u201cnem muito a\u00e7\u00facar nem muito sal\u201d, ela canta e dan\u00e7a, movimentando o tronco, sentada numa cadeira de rodas. Diz ter uma malemol\u00eancia amaz\u00f4nica, tal qual \u201crebujo no remanso\u201d. Hipnotiza quem a ouve com suas encantarias de rio ou da mata, povoados por botos namoradores e protetores como Pena Verde.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>A m\u00fasica amaz\u00f4nica, em seus muitos ritmos, com ou sem sotaque, cheia de misticismos, encharcada de g\u00eaneros regionais ou mergulhada no universo da sonoridades cl\u00e1ssicas, reafirma a identidade de um povo, ou melhor, dos muitos povos que comp\u00f5em esse peda\u00e7o de Brasil feito floresta. Ouvimos ao longo do filme (e tamb\u00e9m do rio) que este calor amaz\u00f4nico est\u00e1 muito no nosso ritmo, sublinha nossas melhores misturas. Sim, \u201csomos filhos desse ritmo das \u00e1guas, dessa m\u00e3e musical que \u00e9 a natureza amaz\u00f4nica\u201d.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p><em>Texto: Gabriela Romeu\/Est\u00fadio Veredas<\/em><\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p><em>Fotos: Divulga\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\r\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cantos de fi\u00e9is fervorosos em barcos rio abaixo, um homem marcando o ritmo de seu b\u00fafalo-bumba, uma artista de rua a cantar m\u00fasicas de sofr\u00eancia, o treme-treme das gangues do eletro, os sons que se entrela\u00e7am aos cantos dos p\u00e1ssaros e uma diva dos bailes de carimb\u00f3 amaz\u00f4nico, a entoar versos sobre banzeiros e pororocas, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":528,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_mo_disable_npp":"","footnotes":""},"categories":[2,52],"tags":[],"class_list":["post-527","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-olhares","category-olhares-2019"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/527","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=527"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/527\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4589,"href":"https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/527\/revisions\/4589"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/wp-json\/wp\/v2\/media\/528"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=527"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=527"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=527"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}