{"id":508,"date":"2019-05-03T11:55:42","date_gmt":"2019-05-03T14:55:42","guid":{"rendered":"https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/cirandacirandinha\/?p=508"},"modified":"2021-08-31T15:52:17","modified_gmt":"2021-08-31T18:52:17","slug":"o-cinema-nunca-foi-mudo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/o-cinema-nunca-foi-mudo\/","title":{"rendered":"O cinema nunca foi mudo"},"content":{"rendered":"\r\n<p><em>&#8220;Quando as `termina\u00e7\u00f5es nervosas` do m\u00fasculo-m\u00fasica e da epiderme-imagem se conectam, pode-se ver uma nova crian\u00e7a multim\u00eddia surgir no mundo, come\u00e7ando a respirar (&#8230;). Esse feliz casamento entre imagem e m\u00fasica \u00e9 um exemplo fascinante de quando o todo \u00e9 alguma coisa muito maior que a soma das partes.&#8221;<\/em><\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Assim o compositor sueco Johnny Wingstedt, artista pesquisador da narrativas musicais, define a imbricada liga\u00e7\u00e3o da m\u00fasica a outros meios narrativos. Esse \u00e9 tamb\u00e9m o tema de Tony Berchmans, compositor, pesquisador e produtor musical, que h\u00e1 tempos estuda como composi\u00e7\u00f5es sonoras e conjuntos de imagens se mesclam no trilhar da hist\u00f3ria no cinema e estar\u00e1 na Ciranda de Filmes 2019! Na mostra, o pianista ministrar\u00e1 a oficina\u00a0<em>A m\u00fasica do filme<\/em>\u00a0e tamb\u00e9m brindar\u00e1 a plateia com uma sess\u00e3o do\u00a0<em>Cinepiano<\/em>,\u00a0 projeto no qual improvisa a trilha sonora musical ao vivo durante a exibi\u00e7\u00e3o de uma obra, utilizando temas de sua autoria e excertos de m\u00fasica folcl\u00f3rica ou cl\u00e1ssica, sempre em di\u00e1logo com as narrativas da telona.<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-4624\" src=\"https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/INTERNA_tony_2.jpg\" alt=\"\" width=\"580\" height=\"387\" srcset=\"https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/INTERNA_tony_2.jpg 580w, https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/INTERNA_tony_2-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 580px) 100vw, 580px\" \/><\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Grande apreciador do g\u00eanero m\u00fasica para cinema, ainda crian\u00e7a, aos 7 anos de idade, ele come\u00e7ou seus estudos musicais; aos 21, passou a trabalhar com composi\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o de m\u00fasica para imagem; aos 36, lan\u00e7ou o livro\u00a0<em>A m\u00fasica do filme \u2013 Tudo o que voc\u00ea gostaria de saber sobre a m\u00fasica de cinema<\/em>; e aos 41, criou o projeto Cinepiano, com o qual realizou mais de 140 apresenta\u00e7\u00f5es em lugares diversos, incluindo diferentes p\u00fablicos e variados temas. \u201cConsidero este meu projeto do cora\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m de tentar trazer uma experi\u00eancia \u00fanica para o espectador, tamb\u00e9m busco ilustrar de modo mais claro o poder narrativo da m\u00fasica.\u201d<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>A m\u00fasica num filme acompanha movimentos, provoca emo\u00e7\u00f5es, determina contextos hist\u00f3ricos e geogr\u00e1ficos e cria suspenses. No cinema, \u201ca princ\u00edpio, a m\u00fasica \u00e9 funcional, aplicada, program\u00e1tica, descritiva, narrativa. Em geral, as composi\u00e7\u00f5es musicais est\u00e3o \u2018a servi\u00e7o\u2019 do filme e s\u00e3o reunidas pelo conceito da funcionalidade\u201d. E completa, citando o maestro e compositor italiano Ennio Morricone: \u201cQuando componho m\u00fasica para um filme, trata-se de uma obra minha, mas ela est\u00e1 a servi\u00e7o da obra de um outro autor, o diretor\u201d. Tal abordagem \u00e9 o que caracteriza a composi\u00e7\u00e3o para cinema como algo particular: \u201cO m\u00fasico que comp\u00f5e para cinema por vezes \u00e9 considerado um dramaturgo musical, e sua m\u00fasica pode ser considerada um elemento conarrador do filme\u201d.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>A m\u00fasica sempre existiu no cinema, diz o artista. At\u00e9 no per\u00edodo do chamado \u201ccinema mudo\u201d, o cinema n\u00e3o era silencioso, j\u00e1 que frequentemente as exibi\u00e7\u00f5es recebiam algum acompanhamento sonoro. Com a participa\u00e7\u00e3o de um pianista solo e at\u00e9 de grandes orquestras sinf\u00f4nicas, a m\u00fasica estava presente, o que transformava a experi\u00eancia de se ver um filme numa imers\u00e3o audiovisual singular, \u00fanica. Com o surgimento dos primeiros filmes projetados com som (sendo\u00a0<em>O cantor de jazz<\/em>, de 1927, um dos marcos dessa leva da s\u00e9tima arte), imaginou-se um cen\u00e1rio em que a m\u00fasica ao vivo n\u00e3o seria mais necess\u00e1ria para criar climas e contextos emocionais, j\u00e1 que ela rapidamente deu lugar \u00e0 grava\u00e7\u00e3o \u00f3tica do som no mesmo suporte f\u00edsico do filme \u2013 a trilha de som ao lado dos fotogramas da pel\u00edcula, o que deu origem ao t\u00e3o famoso termo &#8220;trilha sonora&#8221;.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>O cinema assumiu as melodias e seus potenciais sugestivos para enriquecer suas narrativas. E se vale desse uso at\u00e9 os dias de hoje, mesclando os recursos tecnol\u00f3gicos com a m\u00fasica ao vivo, que permitem a cria\u00e7\u00e3o de trilhas sonoras extremamente complexas, ricas e diversas: projetos como o Cinepiano, a capta\u00e7\u00e3o de sons da natureza, naipes tradicionais de uma orquestra, instrumentos \u00e9tnicos ou paisagens sonoras criadas por potentes softwares e geradores eletr\u00f4nicos de sons. \u201cEspere um minuto, espere um minuto, voc\u00ea ainda n\u00e3o ouviu nada\u201d, escutamos na cena de\u00a0<em>O cantor de jazz<\/em>, considerada a primeira frase falada do cinema. Era s\u00f3 um aviso para o que se sucederia nessa arte.<\/p>\r\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"The Jazz Singer | &quot;Ain&#039;t Heard Nothin&#039; Yet&quot; Scene | Warner Bros. Entertainment\" width=\"580\" height=\"326\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/22NQuPrwbHA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Segundo o artista, no entanto, a m\u00fasica \u00e9 o elemento mais subestimado do complexo conjunto da constru\u00e7\u00e3o audiovisual. \u201cApesar da un\u00e2nime e pregada import\u00e2ncia da m\u00fasica na narrativa f\u00edlmica, os mecanismos que lhe conferem essa import\u00e2ncia s\u00e3o frequentemente misteriosos at\u00e9 para profissionais reconhecidos da \u00e1rea. A m\u00fasica original composta para os filmes \u00e9 um dos aspectos menos discutidos da linguagem cinematogr\u00e1fica e da\u00ed vem meu fasc\u00ednio pelo aprofundamento nesse estudo t\u00e3o carente\u201d, defende o compositor.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Ao considerar que o olhar \u00e9 um sentido que se sobressai num primeiro momento de aprecia\u00e7\u00e3o de uma obra, precisamos ent\u00e3o treinar nossos ouvidos para uma escuta mais consciente dos sons no cinema. Para isso, Berchmans busca desmistificar no p\u00fablico a magia da m\u00fasica no cinema, trazendo conceitos e informa\u00e7\u00f5es que fa\u00e7am as pessoas apreciar os filmes com outros ouvidos. Ele explica como notar que determinada m\u00fasica influencia sua interpreta\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o a uma espec\u00edfica constru\u00e7\u00e3o audiovisual, desencadeando uma reflex\u00e3o produtiva.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>E logo sugere: \u201cAo ver uma cena, tente identificar qual a responsabilidade da m\u00fasica em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 emo\u00e7\u00e3o que a cena transmite. Hoje, com tanta tecnologia, al\u00e9m de aplicativos e streaming, n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil testar pequenas mudan\u00e7as sonoras para identificar o poder da m\u00fasica. A brincadeira de se mudar a m\u00fasica de uma cena conhecida \u00e9 habitual e ilustra como ela \u00e9 de fato uma poderosa ferramenta\u201d. Resta, ent\u00e3o, na pr\u00f3xima ida \u00e0 sala de cinema, ampliar a escuta para se permitir (de ouvidos abertos) desvendar as muitas nuances dessa s\u00e9tima arte.<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-4627\" src=\"https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/INTERNA_cinepieno.jpg\" alt=\"\" width=\"580\" height=\"385\" srcset=\"https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/INTERNA_cinepieno.jpg 580w, https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/INTERNA_cinepieno-300x199.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 580px) 100vw, 580px\" \/><\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n\r\n\r\n<p><em>Texto: Carolina Tiemi\/Est\u00fadio Veredas<\/em><\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p><em>Fotos: Divulga\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\r\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Quando as `termina\u00e7\u00f5es nervosas` do m\u00fasculo-m\u00fasica e da epiderme-imagem se conectam, pode-se ver uma nova crian\u00e7a multim\u00eddia surgir no mundo, come\u00e7ando a respirar (&#8230;). 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