{"id":4534,"date":"2017-05-08T19:08:02","date_gmt":"2017-05-08T22:08:02","guid":{"rendered":"https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/?p=4534"},"modified":"2021-08-26T19:08:23","modified_gmt":"2021-08-26T22:08:23","slug":"transitos-da-infancia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/transitos-da-infancia\/","title":{"rendered":"Tr\u00e2nsitos da inf\u00e2ncia"},"content":{"rendered":"<p>Para alcan\u00e7ar sua rota, algumas aves migrat\u00f3rias se orientam durante o dia a partir da topografia de rios, \u00e1rvores e montanhas e, \u00e0 noite, seguem extraordinariamente o eixo estelar numa viagem de pouco pouso. As mais jovens, que n\u00e3o t\u00eam ainda o senso de orienta\u00e7\u00e3o t\u00e3o apurado, perdem-se por vezes do bando. Mas reencontram o rumo e seguem seu destino, que se repete e se renova a cada ciclo.<\/p>\n<p>Essa imagem das aves em migra\u00e7\u00e3o \u00e9 a delicada met\u00e1fora que o cineasta Olivier Ringer usa para falar dos ritos de passagem na inf\u00e2ncia. Ou talvez melhor dizendo: sobre os tr\u00e2nsitos na inf\u00e2ncia. Crescer \u00e9 mesmo uma longa jornada, cheia de noites de pouca visibilidade em pleno voo, ele nos avisa no longa-metragem de fic\u00e7\u00e3o<a href=\"https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/br\/filme\/144-Os-Passaros-Migratorios\">\u00a0&#8220;Os P\u00e1ssaros Migrat\u00f3rios&#8221;<\/a>\u00a0(<i>Les oiseaux de passage<\/i>).<\/p>\n<p>Ele delineia com um leve tom de aventura a hist\u00f3ria de Cathy, que, em seu anivers\u00e1rio de dez anos, recebe do pai um presente inusitado: um ovo fertilizado. Numa caixinha aquecida, uma incubadora, a menina cuida do ovo e espera ansiosamente o dia da eclos\u00e3o, pois a ave vai identificar como m\u00e3e aquele ou aquela que primeiro mirar seu romper o mundo. Mas \u00e9 sua amiga Margaux, uma menina cadeirante, quem est\u00e1 l\u00e1 na hora em que sai da casca. E a hist\u00f3ria toma outro rumo.<img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/cirandadefilmes1.hospedagemdesites.ws\/_img\/_banco_imagens\/aves_interna2.jpg\" alt=\"\" border=\"0\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-4535\" src=\"https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/aves_interna2.jpg\" alt=\"\" width=\"1000\" height=\"600\" srcset=\"https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/aves_interna2.jpg 1000w, https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/aves_interna2-300x180.jpg 300w, https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/aves_interna2-768x461.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/>O filme traz a saga de crescimento de Margaux, que, com a ajuda de sua fiel amiga Cathy, descobre como ir al\u00e9m dos limites circunscritos por adultos que j\u00e1 deram o veredito de sua condi\u00e7\u00e3o. Margaux e Cathy, como as jovens aves que se perdem do grupo, t\u00eam de encontrar sua verdadeira rota, seguir firmemente seu caminho.<\/p>\n<p>No protagonismo das duas meninas (uma tendo de cuidar da outra, ajudando a amiga a protagonizar), o filme trata do profundo sentido de cuidar, deixar crescer e, principalmente, deixar ser. Cathy, a hero\u00edna, assume um certo papel de coadjuvante da hist\u00f3ria de Margaux. Juntas, v\u00e3o ter de enfrentar os pais, que antagonizam o belo voo.<\/p>\n<p>Margaux tem pais protetores que subjugam o potencial da filha, que precisa ser cuidada e n\u00e3o pode da ave cuidar. Cathy tem uma m\u00e3e que dispensa \u201ccoisas sem utilidade\u201d e acha pura bobagem esse presente do pai, seu ex-marido, o \u00fanico sabedor de que \u00e9 preciso deixar as duas cumprirem seu percurso e, sozinhas, romper o ovo.<\/p>\n<p>Nesse contexto, exercitam ser \u201cm\u00e3e\u201d. A menina que n\u00e3o anda \u00e9 persistente em ensinar a ave a nadar. Para Cathy, n\u00e3o h\u00e1 caminho (por terra ou por \u00e1gua) que a amiga n\u00e3o possa percorrer naquela rela\u00e7\u00e3o afetuosa, de pura cumplicidade. \u201cComo seria se f\u00f4ssemos aves?\u201d, pergunta Margaux. \u201cSeria mais f\u00e1cil, ir\u00edamos pra onde a gente quisesse, quando a gente quisesse\u201d, responde Cathy, uma menina que parece sempre olhar pra dentro. Na \u00e1gua, perto da ilha onde as aves migram, experimentam uma certa liberdade do corpo, numa das cenas de m\u00e1xima ternura do filme.<\/p>\n<p>Esta \u00e9 a segunda produ\u00e7\u00e3o de Olivier Ringer exibida nas edi\u00e7\u00f5es da Ciranda de Filmes. Em 2016,<a href=\"http:\/\/cirandadefilmes1.hospedagemdesites.ws\/br\/filme\/115-Na-Ponta-dos-Pes-\"><i>\u00a0Na ponta dos p\u00e9s<\/i><\/a><i>\u00a0<\/i>(<i>A pas de loup<\/i>; 2012) trouxe a hist\u00f3ria de uma menina que se sente invis\u00edvel a seus pais e, para ter certeza, decide desaparecer. No olhar do diretor, a tem\u00e1tica parental pela perspectiva infantil rende cenas que nos convocam um profundo pensar. Avoar.<\/p>\n<p><i>Texto: Gabriela Romeu<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para alcan\u00e7ar sua rota, algumas aves migrat\u00f3rias se orientam durante o dia a partir da topografia de rios, \u00e1rvores e montanhas e, \u00e0 noite, seguem extraordinariamente o eixo estelar numa viagem de pouco pouso. As mais jovens, que n\u00e3o t\u00eam ainda o senso de orienta\u00e7\u00e3o t\u00e3o apurado, perdem-se por vezes do bando. 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