{"id":4482,"date":"2017-05-22T14:10:01","date_gmt":"2017-05-22T17:10:01","guid":{"rendered":"https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/?p=4482"},"modified":"2021-08-26T14:15:55","modified_gmt":"2021-08-26T17:15:55","slug":"quando-um-coracao-se-quebra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/quando-um-coracao-se-quebra\/","title":{"rendered":"Quando um cora\u00e7\u00e3o se quebra"},"content":{"rendered":"<p>A nossa exist\u00eancia neste mundo \u00e0s vezes \u00e9 breve; \u00e0s vezes, longa. Mas o que estamos fazendo com esses anos se ela n\u00e3o for plena de sentido? Em alguns momentos nos sentimos completos. Ao percorrer seu \u00e1lbum de fotografias e rever a inf\u00e2ncia, a adolesc\u00eancia e o casamento com Beto, Marina Bitelman, a protagonista narradora de\u00a0<a href=\"https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/cirandinha\/filme\/199-Verdade-Passageira\">&#8220;Verdade Passageira&#8221;<\/a>, conclui que teve muita sorte na vida. Em outros momentos, por\u00e9m, algo nos falta, e esse significado se esvai. Marina expressa o seu vazio: \u201cDe repente, o mundo parou\u201d, ouvimos, entrando na surda escurid\u00e3o de um t\u00fanel na estrada.<\/p>\n<p>Em busca do sentido que recoloque seu mundo em marcha, Beto e Marina partem em uma longa viagem sem data de volta. Eles nos levam a pa\u00edses distantes, como o Marrocos, o Nepal, a China, em um misto de trabalho e de busca espiritual. A casa foi desmontada, a vida em comum dentro de caixas de papel\u00e3o. As mochilas de viagem voltam a ser apenas duas. Ela se pergunta: \u201cN\u00f3s \u00e9ramos uma fam\u00edlia. E agora, o que somos?\u201d.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-4485\" src=\"https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/verdade_interna.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"490\" srcset=\"https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/verdade_interna.jpg 700w, https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/verdade_interna-300x210.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><\/p>\n<p>No Marrocos, ponto de partida dessa jornada, o casal entrevista empreendedores para descobrir como o microcr\u00e9dito (especialidade de Beto) pode ajud\u00e1-los a desenvolver seu potencial, materializar seus sonhos. \u00c9 assim que eles e n\u00f3s conhecemos as hist\u00f3rias, as esperan\u00e7as e as dores de tanta gente diferente. A tapeceira Ellaouat explica como aprendeu sozinha a arte que desde menina a encantou. Ela graceja, conta seu of\u00edcio, enxuga l\u00e1grimas. Sentadas no ch\u00e3o, ela e Marina se abra\u00e7am, entre risos. \u201cComo eu posso me sentir t\u00e3o pr\u00f3xima de algu\u00e9m que eu nunca vi na vida &#8212; e talvez nunca mais veja?\u201d<\/p>\n<p>O pr\u00f3ximo trem parte. \u201cEu olho pro Beto e me pergunto: ser\u00e1 que a gente ainda \u00e9 uma fam\u00edlia?\u201d Da janela, avistamos apenas a calmaria de uma extensa plan\u00edcie, a caminho da Ucr\u00e2nia, terra dos av\u00f3s de Marina. De l\u00e1, o casal vai \u00e0 R\u00fassia, ao Quirguist\u00e3o, ao Vietn\u00e3. Cada chegada a um novo pa\u00eds traz \u00e0 narradora uma sensa\u00e7\u00e3o de inseguran\u00e7a, de ter perdido tudo o que havia conquistado at\u00e9 aquele momento. Um lento exerc\u00edcio de aceita\u00e7\u00e3o da imperman\u00eancia.<\/p>\n<p>Ela ouve a hist\u00f3ria da vietnamita Huynh Thi Kim Lien, que vende brinquedos e faz faxina para sustentar a casa, e ainda assim s\u00f3 ganha o suficiente para a comida. Chove, e uma pequena cascata desce do telhado para uma bacia na cozinha. Ela se diz uma mulher azarada: o marido s\u00f3 bebe, n\u00e3o trabalha porque \u00e9 fraco para os servi\u00e7os bra\u00e7ais. Seu sonho \u00e9 ter uma casa s\u00f3lida. \u201cDe onde essa mulher tira for\u00e7a para sustentar a fam\u00edlia sozinha?\u201d, reflete a narradora.<\/p>\n<p>Ver o mundo passar pela janela do trem faz Marina entrar em um tempo s\u00f3 dela. E ent\u00e3o ela volta para o dia em que sua filha Sofia nasceu, em 2005. O beb\u00ea carequinha aparece na tela, no colo do pai, abra\u00e7ado pela esposa, olhando para n\u00f3s. O vazio \u00e9 nomeado. \u201cComo aguentar a dor de perder uma filha?\u201d<\/p>\n<p>Seguindo viagem, o casal conversa com as mulheres de uma\u00a0<i>sangha\u00a0<\/i>indiana, uma esp\u00e9cie de comunidade em que elas trocam experi\u00eancias para ajudar as outras a realizar o sonho de ter um neg\u00f3cio com o dinheiro que ganham com a prostitui\u00e7\u00e3o, onde s\u00e3o jogadas para pagar d\u00edvidas, \u00e0s vezes contra\u00eddas por seus maridos. A for\u00e7a e a vulnerabilidade dessas mulheres intriga a narradora.<img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/cirandadefilmes1.hospedagemdesites.ws\/_img\/_banco_imagens\/verdade2_interna.jpg\" alt=\"\" border=\"0\" \/> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-4486\" src=\"https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/verdade2_interna.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"490\" srcset=\"https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/verdade2_interna.jpg 700w, https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/verdade2_interna-300x210.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><\/p>\n<p>No Nepal, Suntali Tamang, dona de uma av\u00edcola e criadora de uma associa\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria de microcr\u00e9dito, conta que um filho trabalha na fazenda, o outro acabou de se formar e o mais novo est\u00e1 estudando. Mas a filha n\u00e3o est\u00e1 mais entre eles: foi estuprada e morta em um canal ali perto. No sil\u00eancio, a emo\u00e7\u00e3o contida de uma dor que Suntali n\u00e3o esqueceu.<\/p>\n<p>No ritmo do barco que desliza rio abaixo, Marina reflete. \u201cJuntos, olhamos pra nossa dor. O caminho n\u00e3o \u00e9 neg\u00e1-la, mas deixar ela nos transformar.\u201d Cada uma dessas hist\u00f3rias, para ela, devolveu ao casal a capacidade de sentir e de reestabelecer elos com as pessoas. A dor que marca um per\u00edodo tamb\u00e9m traz um novo olhar para ressignificar a vida e construir novas verdades, ainda que passageiras. Ao voltar da viagem, Marina e Beto constru\u00edram outras carreiras, uma nova fam\u00edlia, pois \u201cquando um cora\u00e7\u00e3o se quebra, ele se abre ainda mais\u201d.<\/p>\n<p><i>Texto: Bruna Fontes<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A nossa exist\u00eancia neste mundo \u00e0s vezes \u00e9 breve; \u00e0s vezes, longa. 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