{"id":4284,"date":"2016-06-01T19:42:44","date_gmt":"2016-06-01T22:42:44","guid":{"rendered":"https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/?p=4284"},"modified":"2021-08-25T19:44:06","modified_gmt":"2021-08-25T22:44:06","slug":"roda-de-conversa-mediador-de-mundos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/roda-de-conversa-mediador-de-mundos\/","title":{"rendered":"Roda de conversa: Mediador de Mundos"},"content":{"rendered":"<div>Esta foi uma das emocionantes falas que estiveram na Roda de Conversa inaugural da Ciranda.<\/div>\n<div>\n<figure id=\"attachment_4285\" aria-describedby=\"caption-attachment-4285\" style=\"width: 700px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-4285 size-full\" src=\"https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/Ailton_Krenak-Lira_Marques-Fernanda_Figueiredo-Jose\u0301_Pacheco_RodaMediadorDosMundos_Ciranda2016_fotoAlineArruda_08.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"467\" srcset=\"https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/Ailton_Krenak-Lira_Marques-Fernanda_Figueiredo-Jose\u0301_Pacheco_RodaMediadorDosMundos_Ciranda2016_fotoAlineArruda_08.jpg 700w, https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/Ailton_Krenak-Lira_Marques-Fernanda_Figueiredo-Jose\u0301_Pacheco_RodaMediadorDosMundos_Ciranda2016_fotoAlineArruda_08-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-4285\" class=\"wp-caption-text\">Roda de Conversa: Mediador de Mundos &#8211; Foto: Aline Arruda<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>A primeira \u201cRoda de Conversa\u201d, que integra a programa\u00e7\u00e3o da Ciranda de Filmes, aconteceu h\u00e1 pouco, no Cinesesc, em S\u00e3o Paulo. O encontro, com o sugestivo nome de \u201cMediador de Mundos\u201d, reuniu Ailton Krenak, Jos\u00e9 Pacheco e Lira Marques. Ou seja, num mesmo espa\u00e7o de discuss\u00e3o estiveram presentes uma importante lideran\u00e7a ind\u00edgena, o educador portugu\u00eas respons\u00e1vel pela Escola da Ponte (fundada em 1976 e ainda hoje considerada uma refer\u00eancia mundial em pedagogia inovadora) e uma artes\u00e3 e educadora negra \u2013 diversidade essa destacada por Fernanda Heinz Figueiredo, uma das idealizadoras e curadoras da mostra e tamb\u00e9m mediadora dessa conversa.<\/p>\n<p>O pontap\u00e9 inicial foi a figura do \u201cmestre\u201d, tema dessa edi\u00e7\u00e3o da Ciranda. Krenak pontuou, com uma fala pragm\u00e1tica e po\u00e9tica ao mesmo tempo, a import\u00e2ncia, o respeito e o poder da natureza \u2013 atrav\u00e9s da rela\u00e7\u00e3o estabelecida com ela \u00e9 poss\u00edvel uma enorme aprendizagem. Foi atrav\u00e9s dela que aprendeu e vivenciou o sentido estrito da palavra \u201cliberdade\u201d, por exemplo. Lira falou de um modo bastante emocionado sobre a sua m\u00e3e como primeira e maior mestre; foi ela quem lhe ensinou a trabalhar a cer\u00e2mica e o valor e o gosto pela m\u00fasica. J\u00e1 o educador portugu\u00eas mencionou um vizinho, o sr. Cardoso, que lhe apresentou aos livros, antes mesmo dele ir para a escola.<\/p>\n<p>Krenak compara a natureza \u00e0 \u201cuma m\u00e3e r\u00edgida\u201d, a uma inst\u00e2ncia que orienta, sinaliza, se imp\u00f5e, exige e devolve respeito. Tamb\u00e9m ambientalista, escritor e Professor Doutor Honoris Causa pela Faculdade Federal de Juiz de Fora, ele n\u00e3o v\u00ea possibilidade de uma vida em harmonia, um ambiente saud\u00e1vel, respeitoso e inventivo sem uma forte conex\u00e3o com o meio ambiente. Mais do que isso, para ele, \u201cabra\u00e7ar a beleza da vida\u201d est\u00e1 intrinsicamente \u00e0 conviv\u00eancia com elementos da natureza e com o seguir \u201cos rastros dos nossos ancestrais\u201d.<\/p>\n<p>E ele conta que, da sua etnia, existem apenas cerca de 350 pessoas. Elas mant\u00e9m suas hist\u00f3rias e tradi\u00e7\u00f5es atrav\u00e9s de falas, gestos, rezas, \u201cbenza\u00e7\u00f5es\u201d e rituais. S\u00e3o essas as narrativas que contam a hist\u00f3ria de quem s\u00e3o. O que temos no Ocidente s\u00e3o outras narrativas. Apenas diferentes, nem melhores e nem piores. A diversidade existe \u2013 e \u00e9 fundamental que seja mantida e respeitada. Compara as crian\u00e7as de hoje \u00e0 chips, a popula\u00e7\u00e3o como um todo a computadores e programas feitos em s\u00e9rie. Krenak brinca: \u201cdeveria ser considerado bullying quando se pergunta a uma crian\u00e7a o que ela vai ser quando crescer. A crian\u00e7a \u00e9 uma estrela de uma constela\u00e7\u00e3o; ela vem para ensinar\u201d.<\/p>\n<p>Lira, do Vale do Jequitinhonha, corrobora a import\u00e2ncia das nossas rela\u00e7\u00f5es com os antepassados, tradi\u00e7\u00f5es e mem\u00f3ria. Est\u00e1 fresco nessa ceramista e colocado em suas obras as cantigas de roda que aprendeu desde menina e o esp\u00edrito de comunidade que sempre sentiu.<\/p>\n<p>N\u00e3o por acaso fez uma vasta pesquisa, ainda por meio de fitas-cassete (foram 250!), e registro de cantigas de roda e festejo local. Diz que \u201candava com um caderninho\u201d e anotava tudo, ia atr\u00e1s quando ouvia uma cantiga pela primeira vez. Isso lhe preencheu, lhe deu sentido: a m\u00fasica que ouvia em casa, que a acolhia e a arte que aprendeu com sua m\u00e3e, seu modo de escrever e se colocar no mundo.<\/p>\n<p>Em\u00a0<a href=\"https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/br\/filme\/96-Do-Po-da-Terra\">&#8220;Do P\u00f3 da Terra&#8221;<\/a>, document\u00e1rio exibido na sess\u00e3o de abertura da Ciranda, a artes\u00e3 deixa claro seu modo de escrever \u2013 no barro. Quando lhe perguntam, por exemplo, se ela \u201cfaz noivinhas\u201d (em refer\u00eancia \u00e0 grande maioria das pe\u00e7as feitas por artes\u00e3s do Vale), ela diz que n\u00e3o; para ela, n\u00e3o \u00e9 o que quer fazer e apresentar ao mundo; suas afli\u00e7\u00f5es e alegrias n\u00e3o estariam estampadas nessas figuras.<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Pacheco enfatiza a import\u00e2ncia das perguntas: perguntar sempre \u00e9 o melhor caminho. E revela que sua inova\u00e7\u00e3o no modelo escolar portugu\u00eas se deu a partir de diversos questionamentos. \u201cPor que h\u00e1 turmas? Por que o tempo do intervalo \u00e9 esse? Por que h\u00e1 banheiros separados para alunos e professores? Por que cada aula dura 50 minutos?\u201d. Para ele, os mestres s\u00e3o as crian\u00e7as e s\u00e3o elas que podem nos ensinar \u2013 fala que encontrou eco com Krenak. A lideran\u00e7a ind\u00edgena defendeu em certo momento da roda ideia bastante semelhante: \u201cs\u00e3o elas que v\u00eam que nos ensinar\u201d.<\/p>\n<p>E Pacheco est\u00e1 otimista. Ele tem acompanhado uma s\u00e9rie de comunidades e experi\u00eancias realizadas no Brasil. O educador sente que h\u00e1 professoras\/es com bastante consci\u00eancia a respeito do modelo obsoleto de educa\u00e7\u00e3o que ainda temos vigente. Ele defende e luta por uma \u201cnova constru\u00e7\u00e3o social de aprendizagem\u201d. Mas pondera que a \u201cs\u00edndrome de vira-lata do Brasil\u201d atrapalha \u2013 e n\u00e3o tem sentido algum. Em suas pesquisas, descobriu que o \u201cprimeiro escrito\u201d a respeito de uma nova comunidade de aprendizagem se deu no Brasil e creditou o trabalho a Lauro de Oliveira Lima.<\/p>\n<p>Perguntas, mem\u00f3rias, respeito aos antepassados, liga\u00e7\u00e3o com a natureza, manifesta\u00e7\u00e3o pela arte, sensibilidade e comunidade: denominadores comuns nas falas e no esp\u00edrito de cada um dos convidados.<\/p>\n<p>Texto: Regina Cintra<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Seguindo os rastros de nossos ancestrais<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":4288,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_mo_disable_npp":"","footnotes":""},"categories":[2,50],"tags":[],"class_list":["post-4284","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-olhares","category-olhares-2016"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4284","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4284"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4284\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4287,"href":"https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4284\/revisions\/4287"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4288"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4284"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4284"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4284"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}