{"id":4244,"date":"2021-08-25T18:44:05","date_gmt":"2021-08-25T21:44:05","guid":{"rendered":"https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/?p=4244"},"modified":"2021-08-25T18:44:05","modified_gmt":"2021-08-25T21:44:05","slug":"mutum-o-profundo-do-sertao-e-da-infancia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/mutum-o-profundo-do-sertao-e-da-infancia\/","title":{"rendered":"Mutum: o profundo do Sert\u00e3o e da Inf\u00e2ncia"},"content":{"rendered":"<div>A inf\u00e2ncia sertaneja e sua profunda liga\u00e7\u00e3o com a natureza. De um di\u00e1logo com a obra &#8220;Campo Geral&#8221; de Guimar\u00e3es Rosa e inspirado no personagem Miguilim, o filme\u00a0<a href=\"https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/br\/filme\/56-Mutum\">&#8220;<\/a><a href=\"https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/br\/filme\/56-Mutum\">Mutum<\/a>&#8220;, da diretora Sandra Kogut \u00e9 um dos destaques da programa\u00e7\u00e3o da Ciranda.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Este \u00e9 o primeiro filme de fic\u00e7\u00e3o da diretora. Antes disso ela realizou diversos document\u00e1rios. Da delicada sensibilidade e olhar entre a fic\u00e7\u00e3o e a vida real, Sandra criou\u00a0<a href=\"https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/br\/filme\/56-Mutum\">&#8220;<\/a><a href=\"https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/br\/filme\/56-Mutum\">Mutum<\/a>&#8220;. Conversamos com a diretora, que compartilhou com a gente seu profundo interesse pelas pessoas e pelo mundo que elas carregam.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>\n<div><b>Ciranda:\u00a0<\/b>Conte um pouco pra gente sobre seu interesse pelas pessoas, sua identidade, na conex\u00e3o entre elas al\u00e9m dos limites sociais e das rela\u00e7\u00f5es do homem comum e do sujeito-personagem. Como essas coisas permeiam o seu trabalho?<\/div>\n<div><\/div>\n<div><b>Sandra Kogut:\u00a0<\/b>Talvez seja o \u00fanico motivo pelo qual eu fa\u00e7o filmes: meu interesse pelas pessoas, o mundo que elas carregam. Quando fa\u00e7o um filme, preciso sentir o que cada personagem sente, ir com eles aos lugares emocionais que eles v\u00e3o, s\u00f3 assim consigo dirigi-los. S\u00f3 assim sei o que fazer, para onde ir. Sempre penso que para fazer um filme eu preciso me sentir em casa. Mas me sentir em casa emocionalmente, entender o que cada personagem sente naquela hora. O resto \u00e9 decorr\u00eancia. Por isso achei que podia fazer um filme no sert\u00e3o, apesar de ser uma pessoa urbana, distante daquele mundo. Eu sabia muito bem o que esse menino sentia. Sabia o que cada um ali sentia.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><b>Ciranda:\u00a0<\/b>O document\u00e1rio tem a escuta como parte penetrante no roteiro; o que o outro fala modifica as inten\u00e7\u00f5es de um filme. Conte um pouco pra gente o que seu repert\u00f3rio de documentarista, de se colocar, sens\u00edvel, \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria do outro, proporcionou ao<a href=\"https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/br\/filme\/56-Mutum\">\u00a0&#8220;Mutum&#8221;<\/a>.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><b>Sandra:\u00a0<\/b>Primeiro teve a maneira de chegar no filme. A pesquisa, as viagens, a escolha do elenco \u2013 tudo isso foi um longo processo, onde eu ia confrontando a hist\u00f3ria do livro e do roteiro com um lugar, as pessoas que moravam ali, as rela\u00e7\u00f5es entre elas. Como se estivesse buscando quem pudesse dar vida aquela hist\u00f3ria pela sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria de vida. Sempre chego nos lugares atrav\u00e9s das pessoas, o rosto pra mim \u00e9 a melhor paisagem. Em seguida veio o trabalho com os \u201catores\u201d. Nunca digo a eles o que fazer, e menos ainda porque faze-lo, mas tento criar neles a necessidade daquela cena, daquelas palavras. Isso se parece muito com o meu trabalho nos document\u00e1rios.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Quando preciso que algu\u00e9m diga algo num filme, tento criar a necessidade de dizer aquilo naquela pessoa, sen\u00e3o eu sei que vai ficar ruim, vai ficar falso. Se eu digo a um ator que ele precisa chorar, estou entregando o problema pra ele. N\u00e3o trabalho assim. Crio uma situa\u00e7\u00e3o que vai provocar aquela emo\u00e7\u00e3o nele. Nos document\u00e1rios \u00e9 a mesma coisa. Crio situa\u00e7\u00f5es que v\u00e3o levar as pessoas a dizerem e falarem certas coisas. Pego o problema para mim, em vez de entrega-lo \u00e0 eles. Considero que isso \u00e9 trabalho do diretor.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><b>Ciranda:\u00a0<\/b>Voc\u00ea comenta sobre a vis\u00e3o romantizada do sert\u00e3o e sobre o esfor\u00e7o que fez para que os elementos de Mutum permanecesse na vida de verdade, como ela \u00e9. Gostaria de fazer um paralelo com a vis\u00e3o romantizada da inf\u00e2ncia, que sempre tenta &#8220;abster&#8221; e &#8220;proteger&#8221; a crian\u00e7a dos dramas e conflitos da vida real. Na constru\u00e7\u00e3o do roteiro, e no di\u00e1logo com Guimar\u00e3es, que inf\u00e2ncia \u00e9 esta que est\u00e1 em\u00a0<a href=\"https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/br\/filme\/56-Mutum\">&#8220;Mutum&#8221;<\/a>?<\/div>\n<div><\/div>\n<div><b>Sandra:\u00a0<\/b>Nunca tive uma vis\u00e3o romantizada da inf\u00e2ncia, apesar de saber que ela \u00e9 o que h\u00e1 de mais clich\u00ea, mais comum. Pra mim a inf\u00e2ncia \u00e9 uma \u00e9poca sombria da vida, na qual \u00e9 dif\u00edcil entender e aceitar as regras, que sempre parecem injustas. O seu pai d\u00e1 gargalhadas com um amigo comentando uma batida de carro, e te deixa de castigo porque voc\u00ea derramou um copo de leite. Sei l\u00e1, coisas desse tipo. As crian\u00e7as precisam de autoriza\u00e7\u00e3o para tudo, dependem dos adultos para tudo, e muitas vezes se sentem incompreendidas, sem saber o que fazer com aquele mundo interior gigantesco que elas carregam e ningu\u00e9m entende. O mundo dos adultos \u00e9 inaccess\u00edvel, misterioso, e amea\u00e7ador. A inf\u00e2ncia \u00e9 fisicamente apertada, cabe num quarto. Fora daqueles limites tudo \u00e9 abstrato. A miopia de Thiago \u00e9 a materializa\u00e7\u00e3o mais bacana disso tudo. Na inf\u00e2ncia temos uma vis\u00e3o aguda do que est\u00e1 perto, ao alcance da m\u00e3o, e nebulosa dos mist\u00e9rios que cercam o nosso pequeno mundo.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><b>Ciranda:\u00a0<\/b>Como a rela\u00e7\u00e3o entre a natureza e Thiago \u00a0(protagonista) foi importante para compor a hist\u00f3ria do filme? Qual a import\u00e2ncia dessa rela\u00e7\u00e3o e seus potenciais po\u00e9ticos em\u00a0<a href=\"https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/br\/filme\/56-Mutum\">&#8220;Mutum&#8221;<\/a>?<\/div>\n<div><\/div>\n<div><b>Sandra:\u00a0<\/b>A natureza do filme representa o mundo interno dos personagens, materializa seus medos, seus fantasmas, seus sonhos. Me interesso pela paisagem mental. A natureza no\u00a0<a href=\"https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/br\/filme\/56-Mutum\">Mutum<\/a>\u00a0\u00e9 assim: concreta, dura, real, e ao mesmo tempo totalmente mental. A natureza n\u00e3o \u00e9 uma paisagem a ser contemplada, \u00e9 um espa\u00e7o de experi\u00eancia, de muito trabalho, de luta pela exist\u00eancia (n\u00e3o s\u00f3 f\u00edsica mas tamb\u00e9m moral, e psicol\u00f3gica). N\u00e3o tem nada a ver com a natureza cart\u00e3o-postal. N\u00e3o existem paisagens espetaculares no filme, nada \u00e9 grandioso. Achei importante que a natureza permanecesse na escala humana. Porque a medida de tudo \u00e9 sempre as pessoas, e como elas se relacionam com essa natureza.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Saiba mais sobre o filme\u00a0<a href=\"http:\/\/cirandadefilmes1.hospedagemdesites.ws\/br\/filme\/56-Mutum\">aqui.<\/a><\/div>\n<div><\/div>\n<div>\u00a0<iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/fnUDajTZTlg\" width=\"720\" height=\"480\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/div>\n<\/div>\n<div><\/div>\n<div><a href=\"http:\/\/www.mutumofilme.com.br\/entrevista.htm\">Veja<\/a>\u00a0no site do filme a linda entrevista feita por Franck Gargarz.<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma conversa com a diretora<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":4245,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_mo_disable_npp":"","footnotes":""},"categories":[2,49],"tags":[],"class_list":["post-4244","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-olhares","category-olhares-2015"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4244","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4244"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4244\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4246,"href":"https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4244\/revisions\/4246"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4245"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4244"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4244"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4244"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}