{"id":4138,"date":"2020-11-12T13:59:11","date_gmt":"2020-11-12T16:59:11","guid":{"rendered":"https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/cirandacirandinha\/?p=4138"},"modified":"2020-11-24T23:57:03","modified_gmt":"2020-11-25T02:57:03","slug":"meu-primeiro-cinema-uma-conversa-com-alemberg-quindins","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/meu-primeiro-cinema-uma-conversa-com-alemberg-quindins\/","title":{"rendered":"Meu primeiro cinema: uma conversa com Alemberg Quindins"},"content":{"rendered":"\n<p>Por Mayara Penina<\/p>\n\n\n\n<p><em>Voc\u00ea se lembra da primeira vez que foi ao cinema? Alemberg Quindins, fundador da Funda\u00e7\u00e3o Cultural da Casa Grande, contou sua rela\u00e7\u00e3o com a arte desde crian\u00e7a<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cMeu nome \u00e9 Alemberg Quindins, eu nasci no Cariri, uma regi\u00e3o entre Pernambuco, Para\u00edba, Piau\u00ed e o Cear\u00e1, ao sul da Chapada do Araripe. Um territ\u00f3rio que chamamos de Cariri porque existia um povo chamado Cariri\u201d, assim se apresenta Francisco Alemberg Quindins, produtor cultural, multiartista e fundador da <a href=\"https:\/\/blogfundacaocasagrande.wordpress.com\/\">Funda\u00e7\u00e3o Casa Grande &#8211; Memorial do Homem do Kariri<\/a>. Nesta conversa com a Ciranda Cirandinha de Filmes, ele compartilhou sua hist\u00f3ria com a s\u00e9tima arte, como a primeira vez em que viu um filme nas telonas e como criou seu pr\u00f3prio cinema em sua cidade, aos nove anos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p>Foi com uma vizinha em Nova Olinda (CE), contadora de lendas e hist\u00f3rias, que Alemberg aprendeu a imaginar. \u201cEla era descendente de Cariri e me levava pra casa dela, ou melhor, eu ia at\u00e9 a casa dela porque eu gostava de ir l\u00e1. Ela pegava uma estatueta de madeira e come\u00e7ava a contar a hist\u00f3ria do povo Cariri\u201d, relembra. Ali, Alemberg tinha certeza que conseguia ver o que a vizinha contava. Para ele, o cinema come\u00e7ou a\u00ed: por meio de \u201cuma boca falando e uma l\u00edngua imaginando\u201d. Desde aquela \u00e9poca, o menino Alemberg Quindins aprendeu a sonhar.<\/p>\n\n\n\n<p>De Nova Olinda, se mudou com o pai e o irm\u00e3o em busca de outro ch\u00e3o e foi parar em Miranorte (TO), entre o rio Tocantins e o rio Araguaia. No novo endere\u00e7o, a fam\u00edlia conheceu o Cine Bandeirante, onde iam aos fins de semana. Ir ao cinema era um evento importante, que exigia uma prepara\u00e7\u00e3o: \u201cMeu pai botava m\u00fasica na vitrola enquanto a gente ficava tomando banho. A trilha ia tocando enquanto as crian\u00e7as da cidade iam tomar banho\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi no Cine Bandeirantes, em 1974, a primeira vez que Alemberg passou pela experi\u00eancia m\u00e1gica de estar numa sala escura cheia de imagina\u00e7\u00e3o. E tudo parecia realmente m\u00e1gico: \u201co dinheiro do pai pra gente comprar um suspiro, que era docinho e que derretia na boca, a banquinha que a fam\u00edlia botava pra vender bombom, a fila pra entrar com ingresso, uma parede onde tinha uns cartazes, aqueles posterzinhos promocionais mostrando cenas do filme que voc\u00ea via antecipadamente, as cortinas vermelhas com as franjas bordadas, as luzes ao lado e duas placas vermelhas assim dizendo \u2018N\u00e3o Fume\u2019 e \u2018Sil\u00eancio\u2019. Aquilo era o cinema!\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">\u201cO primeiro filme que assisti foi em 3D\u201d<\/h2>\n\n\n\n<p>Naquele dia, o filme exibido no Cine Bandeirantes, visto por&nbsp;Alemberg foi &#8220;Sans\u00e3o e Dalila&#8221; com Victor Mature, Angela Lansbury e Hedy Lamarr, um cl\u00e1ssico do cinema hollywoodiano. \u201cQuando abriu a cortina e come\u00e7ou aquela imagem rodando, eu me transportei para dentro do cinema. O primeiro filme que eu assisti foi em 3D. Por que eu digo que foi em 3D? Porque quando muito mais pra frente apareceu o cinema 3D, eu constatei isso e digo: foi isso que eu vi! E nunca mais parei de sonhar!\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde aquele dia, o encantamento n\u00e3o acabou, nem a vontade do Alemberg Quindins de descobrir o audiovisual&nbsp;mais e mais. Depois de um tempo, ele passou a ver os filmes de um jeito diferente. Enquanto os meninos olhavam pra tela, Alemberg via de costas. Ele queria entender como funcionava aquela m\u00e1gica e de onde sa\u00eda o jato de cor. Passou a investigar com os olhos de an\u00e1lise que s\u00f3 uma crian\u00e7a tem. \u201cEu comecei a observar que era um jato de luz que sa\u00eda forte, que passava por uma tirinha de fotografia. No jato de luz, eu via aqueles fragmentos de poeira. Era como se fossem aqueles pontos de poeira que levassem a imagem daquela fita para tela. E tamb\u00e9m tinha o som. Ele ficava por de tr\u00e1s de uma cortina, a cortina n\u00e3o fechava toda porque fechava s\u00f3 pra descobrir a tela. Quando abriu aquilo ali, pra mim abriu o m\u00e1gico, o portal do encantado. Eu disse pra mim mesmo: \u201cEu vou fazer cinema!\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Meu pr\u00f3prio cinema, o cineminha do Beg<\/h2>\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Foi ainda com nove anos que come\u00e7aram os estudos aut\u00f4nomos de Alemberg em busca do sonho de ter o pr\u00f3prio cinema. Em casa, foram realizados v\u00e1rios testes com materiais diversos. Pl\u00e1stico, durex, desenhos de cenas em pincel, lanterna, e ainda n\u00e3o estava dando certo. At\u00e9 que um dia, \u00e0 noite, com o lampi\u00e3o aceso, percebeu sua imagem refletida na parede de frente para o objeto. \u201cEu me vi bem grande como se fosse a minha grande sombra. E a\u00ed eu vi que, quando eu mexia no lampi\u00e3o, a minha imagem se mexia sem mexer. Quando eu me aproximava da parede, eu diminu\u00eda. Quando eu me distanciava da parede e me aproximava do lampi\u00e3o, eu ficava maior. A\u00ed eu disse: \u201c\u00c9 o cinema!\u201d.<\/span><\/p>\n\n\n<p>Foi numa caixa de madeira, com personagens, falas e trilha sonora criada por ele,&nbsp; que nasceu o Cineminha do Beg. Muitos cl\u00e1ssicos foram exibidos l\u00e1, como \u201cSans\u00e3o e Dalila\u201d, \u201cO Ouro de Mackenna\u201d e \u201cO D\u00f3lar Furado\u201d. As crian\u00e7as vibravam! \u201cEu fico pensando hoje como era que eu prendia a meninada durante uma sess\u00e3o de cinema todo\u201d, relembra.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEu sempre quis ter um quarto de brinquedos quando era crian\u00e7a, esse quarto de brinquedos \u00e9 a \u2018Casa Grande\u2019. Eu criei uma institui\u00e7\u00e3o em que as crian\u00e7as s\u00e3o&nbsp; gerentes, s\u00e3o diretores, \u00e9 toda gerida por crian\u00e7as. Isso foi o cinema que me deu. Essa \u00e9 minha hist\u00f3ria\u201d.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p>Clique <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/blogfundacaocasagrande.wordpress.com\/\" data-type=\"URL\" data-id=\"https:\/\/blogfundacaocasagrande.wordpress.com\/\" target=\"_blank\">aqui <\/a>para conhecer melhor a Funda\u00e7\u00e3o Casa Grande &#8211; Memorial do Homem Kariri. Veja tamb\u00e9m <a href=\"https:\/\/youtu.be\/TzxGVL9rXiU\" data-type=\"URL\" data-id=\"https:\/\/youtu.be\/TzxGVL9rXiU\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">este<\/a> papo em que Alemberg Quindins conta mais hist\u00f3rias do seu cineminha<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Mayara Penina Voc\u00ea se lembra da primeira vez que foi ao cinema? 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