{"id":3642,"date":"2020-10-29T15:56:33","date_gmt":"2020-10-29T18:56:33","guid":{"rendered":"https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/cirandacirandinha\/?p=3642"},"modified":"2021-08-30T18:53:33","modified_gmt":"2021-08-30T21:53:33","slug":"veoveo-e-preciso-aumentar-nosso-repertorio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/veoveo-e-preciso-aumentar-nosso-repertorio\/","title":{"rendered":"Veoveo: \u00e9 preciso aumentar nosso repert\u00f3rio"},"content":{"rendered":"\n<p><em>por Renato Nery e Vicky Romano, fundadores da Veoveo<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Ludo tinha 4 anos quando viu pela primeira vez a Patrulha Canina. Depois de alguns meses quase enlouquecemos! A m\u00fasica de abertura insistia e quando menos esper\u00e1vamos surgia em <em>looping<\/em> em nossas cabe\u00e7as. Naquele momento, em 2017, ficou claro que, no meio de tantos brinquedos, livretos para colorir e todos os produtos transm\u00eddia lan\u00e7ados, que a s\u00e9rie era um chiclete com grande poder de persuas\u00e3o. O fasc\u00ednio est\u00e9tico induzia a hipnose, a trama flat com sua confortante e controlada modula\u00e7\u00e3o baseada em causa e efeito criava uma sensa\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o existia conflito. Aqueles personagens fofos e estereotipados escondiam uma estrutura hier\u00e1rquica velha que refor\u00e7ava junto com o combo padr\u00f5es de preconceito que n\u00e3o quer\u00edamos!<\/p>\n\n\n\n<p>Pela primeira vez ficamos incomodados com todo aquele desejo. Afinal, at\u00e9 ent\u00e3o foram alguns anos dedicados aos conte\u00fados para crian\u00e7as. E agora com a audi\u00eancia ali, bem pertinho, t\u00ednhamos que desenvolver todo tipo de estrat\u00e9gia para resgat\u00e1-lo daquele po\u00e7o sem fim. A ironia era que quase 80% dos temas da s\u00e9rie se referiam a algum tipo de resgate e para resgat\u00e1-lo come\u00e7amos a buscar e catalogar conte\u00fados diferentes, alternativos, uma luta contra o algoritmo da rede que insistia em n\u00e3o mostr\u00e1-los. Aquela internet dos anos 90 j\u00e1 n\u00e3o existia mais, toda aquela promessa de acesso livre tinha sido subvertida pelo h\u00e1bito e explora\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica. Tudo est\u00e1 automatizado. O algoritmo refor\u00e7a apenas o padr\u00e3o. Este discurso \u201c<em>smart<\/em>\u201d, na verdade, esconde um usu\u00e1rio pouco inteligente. Ent\u00e3o, se o seu filho sabe mexer em um sistema de navega\u00e7\u00e3o intuitiva, num smartphone, n\u00e3o significa que ele esteja desenvolvendo o c\u00e9rebro, significa que ele est\u00e1 funcionando dentro do padr\u00e3o, sendo condicionado a n\u00e3o pensar. Foi justamente pensando&nbsp; numa alternativa a isso que come\u00e7amos a desenhar <a href=\"https:\/\/veoveoplay.app\/\" data-type=\"URL\" data-id=\"https:\/\/veoveoplay.app\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Veoveo<\/a>.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O primeiro passo foi observar e comparar. Em nossa inf\u00e2ncia tinha o que tinha, no tempo que tinha. Hoje temos muito do mesmo, em grandes quantidades, em qualquer momento, e de qualquer jeito. A escassez de antes exigia momentos de compartilhamento e espera. Duas qualidade importantes para serem desenvolvidas numa crian\u00e7a, a generosidade e a paci\u00eancia. Sem paci\u00eancia e acostumados ao mundo do seu jeito, dizer n\u00e3o ganhou peso. Muitos adultos, querendo evitar o conflito e silenciar a inf\u00e2ncia delegam a miss\u00e3o de educar a uma tela. S\u00f3 que a tela n\u00e3o educa, a tela forma, ou informa, cria os contornos, que n\u00e3o s\u00e3o percebidos pelo indiv\u00edduo como contorno ou a impress\u00e3o de conhecimento, o recheio. Portanto, a tela n\u00e3o cria o conjunto de experi\u00eancia que o mundo real e as rela\u00e7\u00f5es criam, que uma educa\u00e7\u00e3o viva e dial\u00e9tica cria.<\/p>\n\n\n\n<p>Dizer n\u00e3o virou um desafio, principalmente para os adultos que cada vez mais distantes dos universos das crian\u00e7as e dos conte\u00fados infantis n\u00e3o conseguem oferecer o diferente. Mas, como diria o alto executivo daquele famoso canal &#8211; \u201c as crian\u00e7as s\u00e3o exigentes e sabem o que querem, por isso elas gostam do meu canal\u201d. Sim! Elas querem chocolate, e \u00e9 miss\u00e3o dos pais, m\u00e3es e adultos minimamente atentos ofertarem o diferente. N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que estamos vivendo um tempo de fome e obesidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Com isso, desenvolver o olhar \u00e9 preciso, conhecer minimamente a linguagem parece ser o caminho para perder o medo de se aventurar em acervos e conte\u00fados n\u00e3o navegados. Perceber que o conceito de qualidade n\u00e3o pode ficar preso ao ultra realismo dos 3Ds ou aos movimentos fren\u00e9ticos e gags bem constru\u00eddas dos cartoons. Para resgatar as crian\u00e7as das mesmices \u00e9 preciso aumentar nosso repert\u00f3rio e a capacidade de reconhecer e perceber as muitas maneiras de se contar hist\u00f3rias. <\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-pullquote\"><blockquote><p>Arrisque-se! As crian\u00e7as gostam do que os pais gostam, se voc\u00ea descobriu um conte\u00fado diferente e sente prazer ao assisti-lo a crian\u00e7a ir\u00e1 perceber e sentir\u00e1 tamb\u00e9m.<\/p><\/blockquote><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>A ind\u00fastria do audiovisual, como qualquer ind\u00fastria corre atr\u00e1s da f\u00f3rmula do sucesso e encontrou nos sistemas da internet um perigoso aliado. O mapeamento dos h\u00e1bitos e a constata\u00e7\u00e3o do consumo autom\u00e1tico aprofunda a oferta de conte\u00fados preocupados apenas em atender expectativas. O resultado \u00e9 o que estamos vendo, conte\u00fados ordin\u00e1rios, e um sistema viciado que nivela a cria\u00e7\u00e3o por baixo. Conseguimos algum respiro garimpando conte\u00fados fora das grande plataformas de <em>streaming<\/em>, dos grandes circuitos de salas de cinema, ou dos grandes canais. Em Veoveo buscamos por criadores que expressam em seus conte\u00fados seus anseios, inquietudes e sua vis\u00e3o de mundo. N\u00e3o s\u00e3o muitos, mas os poucos que persistem fazem toda a diferen\u00e7a e ir\u00e3o enriquecer o olhar das nossas crian\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<p>Por \u00faltimo, a chave n\u00e3o \u00e9 o radicalismo e criar a crian\u00e7a numa bolha de conte\u00fados \u201ccabe\u00e7a\u201d.&nbsp; Os conte\u00fados de sucesso criam um c\u00f3digo e a sensa\u00e7\u00e3o de pertencimento t\u00edpico da comunica\u00e7\u00e3o de massa. A chave \u00e9 assistir juntos, ritualizar, tornar o ato de assistir uma experi\u00eancia de surpresa, encantamento e conversa.<\/p>\n\n\n\n<p>Esperamos que desfrutem de <a href=\"https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/cirandacirandinha\/veoveo\/\" data-type=\"URL\" data-id=\"https:\/\/cirandadefilmes.com.br\/cirandacirandinha\/cirandacirandinha\/veoveo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Veoveo<\/a>, n\u00f3s adoramos todos os filmes que est\u00e3o aqui.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>por Renato Nery e Vicky Romano, fundadores da Veoveo Ludo tinha 4 anos quando viu pela primeira vez a Patrulha Canina. Depois de alguns meses quase enlouquecemos! A m\u00fasica de abertura insistia e quando menos esper\u00e1vamos surgia em looping em nossas cabe\u00e7as. 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